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Joana

um mundo cheio de histórias para contar

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01
Abr17

VIVER EM LONDRES | 5 coisas de que vou sentir saudades {e duas novidades}

Joana Santos

Posso começar pelo fim deste título? Pelas duas novidades? Claro que sim! Então:
 
1) Estou noiva!
2) Faltam exactamente 22 dias para regressar para Portugal.
 
WOW. Eu sei. Isto é muita coisa. Logo assim, de repente, de manhã, para começar bem o dia e o mês. Vou dar-vos uns minutos para lidar com a situação. 
 
Prontos? Recompostos?
 
Ora, então passemos a explicar. Num belo dia, no final de Janeiro, o meu Gui levou-me a jantar fora, com o pretexto de que ainda não tinhamos visitado o Shard - um edifício super alto, pontiagudo, perto de London Bridge. Caminhámos cerca de uma hora a pé, junto ao rio, até lá chegarmos e, depois de subirmos (de elevador) os 34 andares do edíficio, deparámo-nos com uma vista maravilhosa sobre Londres. Mesmo. Daquelas de cortar a respiração. O restaurante Aqua London é todo em vidro, bem no topo do Shard, e, à noite, sentimo-nos completamente no topo do mundo, completamente maravilhados pela luz da cidade. Jantámos sem que eu desconfiasse do que iria acontecer a seguir. Falámos dos nossos planos de vida, comentámos os vestidos minúsculos das raparigas sentadas ao nosso lado, rimo-nos porque levámos roupa tudo menos adequada àquele lugar e comemos maravilhosamente bem. No final do jantar, depois de terminarmos um vinho português, fomos até a uma espécie de miradouro, junto ao bar, e foi lá, com a maravilhosa e cintilante vista da cidade onde nos conhecemos, que o Gui fez a pergunta que mudou para sempre as nossas vidas. Sim, o rapaz é um romântico. Antes de dizer que sim, eu chorei e ri ao mesmo tempo, reacção mesmo típica da minha pessoa quando fica nervosa e é apanhada de surpresa. Mas disse. Disse que sim, porque não fazia sentido dar qualquer outra resposta a esta pessoa que me faz acreditar que  único motivo pelo qual vim para o Reino Unido foi para o encontrar.


Agora, limpem as lágrimas. Vamos à segunda novidade. 
 
Já não me lembro bem quando começámos a falar de um possível regresso a Portugal, mas lembro-me de que a data que tinhamos em mente era 2018. É difícil assentar aqui, construir uma família, aproveitar a vida e o tempo. Corremos de um lado para o outro, pagamos rios de dinheiro em rendas de casa e transportes e não há sol. Passado uns tempos, depois de vivermos ao máximo a vida londrina, é natural que a calma do nosso país nos faça falta. Mas a vida, por vezes, surpreende-nos e a oportunidade de partir mais cedo começou a desenhar-se. E, claro, não lhe virámos as costas. A vida dá-nos aquilo de que realmente precisamo e, se a oportunidade chegou agora, é porque a altura certa é agora. E aí vamos nós. Não podia estar mais contente, nada poderia fazer mais sentido do que a fase maravilhosa de vida que estou a ter neste momento: sinto-me a caminhar cada vez mais rápido ao encontro daquilo que é a minha essência e daquilo que me faz mais feliz, ao lado da pessoa mais maravilhosa do mundo.

 
Mas, apesar de ter a certeza de que este é o passo mais certo, há coisas que encontrei em Londres que me vão deixar muitas saudades. MUITAS SAUDADES MESMO. Há uma lista interminável delas, mas hoje deixo-vos com as cinco mais importantes. 
 
1) A Multiculturalidade

Podia escrever uma publicação apenas para vos falar da quantidade de mundos diferentes que cabem dentro de Londres. E é desses mundos todos juntos num só que vou ter mais saudades: a possibilidade de almoçar falafel e húmus num restaurante libanês e jantar guacamole e nachos num restaurante mexicano, ir às compras à China Town ou à Little India, a oportunidade de ouvir mil línguas diferentes, experimentar fazer uma pintura de henna e meditar num templo budista. Mais do que isso, sentir-me livre para vestir o que quero, como quero, quando quero e partilhar os bancos do comboio com raparigas que usam véu e homens de turbante sem ouvir as típicas piadas sobre bombas que tantas vezes ouvi em Portugal. Aqui aceita-se e incentiva-se a diferença, aceita-se que todos vimos de um lugar diferente, todos temos experiências diferentes e são essas nossas pequenas diferenças que fazem de Londres um lugar tão seguro para viver. 

2) A cultura dos postais

Quem me conhece, seja pela escrita, seja em pessoa, sabe que adoro trocar postais. Em Portugal, já era assim, mas aqui este amor tornou-se ainda maior. O mais comum é, por exemplo, dar a alguém um postal a acompanhar um presente de aniversário ou enviar um postal daqueles com fotografias de lugares sempre que viajamos. Mas, em Londres, descobri toda outra panóplia de miminhos que posso dar a quem me é mais querido. Aqui escrevem-se postais quando alguém muda de trabalho: deseja-se "good luck on your new job" ou "we will miss you"; quando alguém muda de casa: "congrats on your new home" ou "we have a new address" e quando alguém fica noivo: "happy engagement!" ou "it's a ring day". Depois há os postais de Natal, os postais do dia da mãe e do pai, os postais de dia dos namorados. E há os postais de aniversário de namoro e de casamento. Os para os tios, primos, irmãos e avós. Há lojas de postais, como a Scribbler ou a Paperchase, onde encontramos até os postais mais inimagináveis, para todos os gostos e ocasiões. Os com mais piada, os mais sérios, os de agradecimento e os inspiradores. Não sei ao certo quantos postais já enviei desde que me mudei para Londres, mas posso dizer com certeza que o número já vai bem perto dos 300. Antes de regressar a Portugal, vou abastecer-me de postais bonitos para que, no meu querido país à beira-mar plantado, não me falte nada. Alguém conhece lojas deste género em Lisboa?

3) A organização dos transportes públicos

Tirando umas quantas chatices na Central Line e umas zangas entre mim e a Bakerloo Line, tenho zero queixas para apresentar sobre os transportes públicos em Londres. Sou maioritariamente utilizadora do metropolitano, mas, de vez em quando, os autocarros e os comboios também me levam até ao meu destino. Ao contrário daquilo que acontece em Lisboa, aqui há metro de um em um minuto em hora de ponta e, fora dela, no máximo espera-se cinco minutos. À noite, cinco minutos é também o tempo de espera mais comum. O metro anda à velocidade da luz e rapidamente chegamos à outra ponta da cidade. É verdade que toda a linha, à excepção talvez da District Line e da Hammersmith & City, é bastante antiga: os comboios chiam por todo o lado, são pouco arejados (na Central Line, em pleno verão, os termómetros atingiram os 50ºC) e pouco espaçosos, mas, em compensação, há metro durante 24 horas, às sextas-feiras e sábados e eu sei perfeitamente que a quantidade monstruosa de dinheiro que dou todos os meses está a ser bem utilizada. Londres funciona por zonas e, por isso, devemos escolher os passes mensais de acordo com as zonas que utilizamos. Por exemplo, eu utilizo o passe para as zonas 1 à 3. Pago 150 libras todos os meses. Mas isso, para além de me permitir utilizar o metro, permite-me ainda utilizar os comboios dentro dessas zonas e todos os autocarros independentemente da zona. Ou seja, se eu quiser ir a algum lado que fica na zona 6, o que eu faço é apanhar o metro até ao limite da zona 3 e, depois, qaulquer autocarro que me leve até lá. Assim, não pago mais. Assusta-me a ideia de regressar à confusão que é o metro de Lisboa e assusta-me ainda mais começar a ter a mentalidade de que a solução é arranjar um carro. E, vocês, como se deslocam em Lisboa?

 
4) A vontade de aproveitar a vida fora de casa

Em Londres, é raro apanhar um dia de bom tempo. E, por isso, quando o sol brilha e a temperatura é mais amena, os parques enchem-se de pessoas, as margens do rio ficam cheias de casais e grupos de amigos que fazem piqueniques e é raro ouvir alguém dizer que passou o dia em casa. Até mesmo quando chove, a vida continua a correr lá fora. E não há cá chapéus de chuva (a não ser os dos turistas). Vêem-se crianças a brincar em poças de água e adultos a andar de bicicleta como se passeassem no paredão de Oeiras em pleno Agosto (vá, se calhar um bocadinho mais vestidos). Quando o sol brilha, calçam-se as sandálias e deixam-se os sobretudos no armário e renovamos as nossas reservas de vitamina D. Levo comigo a certeza de que, em Portugal, todos os dias de luz serão aproveitados, até mesmo quando não está propriamente calor: quero voltar a ir à praia no inverno, a descorbir as serras no verão e a deliciar-me todos os dias com a beleza do nosso país. Fora de casa.

5) As lojas de segunda-mão

Chamam-se charity shops e são a melhor invenção de sempre. Lá, vende-se roupa, livros, discos, objectos decorativos e até mobílias em segunda mão. Encontra-se de tudo, desde roupa bem vintage a vestidos de noiva e tudo por um preço muito baixo. Todo os dinheiro da venda reverte a favor de uma associação, como por exemplo a British Heart Foundation ou a McMillan Cancer Support. Ao contrário daquilo que ainda sinto que acontece muito em Portugal, ninguém tem vergonha de admitir que comprou determinado outfit numa loja de roupa em segunda-mão. E, quando olhamos para alguém, também não conseguimos perceber se o que essa pessoa veste foi comprado numa destas lojas ou veio directamente da Primark ou da H&M (a menos que saibamos as coleções de cor e salteado). Em Lisboa, só conhecia a Outra Face da Lua (onde é impossível comprar algo porque é tudo exageradamente caro) ou a Humana. Qual é a vossa experiência em lojas de segunda-mão em Lisboa?

Agora que Abril começa, e que a minha história em Londres está a acabar, vou encher o blogue de publicações acerca desta cidade magnífica que me ensinou tanto, com a esperança de, talvez, inspirar alguém a vivê-la melhor. Feliz mês de Abril!

Com amor, 
Joana

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