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Joana

um mundo cheio de histórias para contar

Joana

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29
Jan17

De volta ao tapete, com o coração cheio de amor

Joana Santos
Ainda na última publicação vos contei o quão difícil tem sido praticar yoga desde Março do ano passado. Nem sempre foi assim. Comecei a minha viagem pelo mundo dos asanas (posturas, em sânscrito) em 2010, em casa, praticando com o auxílio de vídeos que ia encontrando na internet, mas só em 2013 encontrei a pessoa certa para me ensinar realmente aquilo que há para além dos adho mukha svanasana (ocidentalmente conhecimento como cão que olha para baixo) e das chaturanga dandasana (ou, em português, flexões). A Marina, a minha eterna professora do coração, desafiou-me, ensinou-me a sentir o meu corpo e ajudou-me a descobrir tanto daquilo que sou. Por causa dela, conheci outras professoras fantásticas que tornaram este meu caminho num caminho de mais amor: um amor muito feliz. A BJ Galvan, a Susana Garcia Blanco, a Meghan Currie, a Jessica Green, a Reyes Sanchez e tantas outras almas bonitas e cheias de luz.


Como qualquer criança quando começa a aprender uma coisa nova, ou a descobrir dentro de si o seu potencial, eu andava nas nuvens. Queria conhecer tudo. Chegar sempre mais longe. Ultrapassar os desafios das posturas e da mente. Li, pratiquei, escutei, senti. Todos os dias um bocadinho mais. Entre 2013 e 2015, quanto mais escavava mais encontrava: foi uma descoberta pessoal, essencialmente, mas também foi uma descoberta de como podia utilizar o meu coração para viver com os outros, para aproveitar este mundo e tudo aquilo que ele me pode dar. Se olhar para trás, recordo-me desses dias como dias cheios de sol. De sorriso nos lábios.


Claro que nem todos os dias foram assim: às vezes, também sentia que o meu cérebro não me deixava ir mais longe, que se criava um bloqueio tão grande na minha garganta que até o simples acto de respirar se tornava difícil. Mas tinha consciência de que o meu coração estava apenas a libertar-se de tudo aquilo que o prendia: os medos e os momentos menos bons que se foram acumulando ao longo dos anos. No fundo, estes desafios eram, para mim, apenas a casca dura que construí à minha volta, como escudo de protecção, a partir-se.


Em 2015, depois de tirar um curso de yoga para crianças, de me mudar, de malas a abarrotar de esperança para um novo país e de conhecer a famosa Yoga Girl, simplesmente parei. Não estendi o tapete durante tanto tempo. Revoltei-me comigo mesma, primeiro por não conseguir juntar forças dentro de mim para simplesmente me sentar a ouvir o meu coração e depois porque comecei a duvidar da minha capacidade para voltar a fazê-lo alguma vez na vida. Entre Agosto de 2015 e Março de 2016, a prática foi intermitente. E nem sequer foi uma prática espiritual. Foi uma prática puramente física. Na maior parte das vezes, o objectivo não era mais do que tentar aliviar a dor que sentia nas costas ou tentar não perder os meus abdominais definidos. Hoje, olhando para trás, sei que esta curva no meu caminho enquanto yogini não foi mais do que resultado de ter deixado de gostar tanto de mim, de nutrir este amor próprio, de me valorizar. A base das minhas decisões deixou de ser o amor e passou a ser o medo: o medo de não ser suficiente. E, por causa disso, o tapete ficou arrumado a um canto.


O Yoga é um caminho. Um caminho de crescimento pessoal. Uma viagem por dentro de nós próprios. Uma união daquilo que somos com o nosso corpo físico. E, às vezes, nesse caminho há curvas, contracurvas, momentos em que nos questionamos sobre o seu verdadeiro significado. No fundo, acredito que a esses momentos se seguem momentos de grande expansão interior. E é exactamente isso que o meu coração vive neste momento: estou pronta para regressar. Estou pronta para aceitar o medo e responder-lhe com amor. Estou pronta para encarar todas as possibilidades magníficas que esta aventura comporta. E estou pronta para aceitar as respostas às questões que coloco ao longo do meu caminho. De sorriso nos lábios, porque o sorriso é a expressão mais pura daquilo que verdadeiramente sou. Somos.

Com amor, 
Joana

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