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Joana

um mundo cheio de histórias para contar

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29
Jun17

VIVER EM LONDRES | Como encontrar trabalho?

Joana Santos
 

A um dia do aniversário da minha mudança para o Reino Unido, a rubrica mais adorada deste blogue volta com os seus conselhos e sugestões para aqueles que se aventuraram e partiram à descoberta. Desta vez, fala-se de como encontrar trabalho em Londres (dicas que, na verdade, podem servir para quem vive noutras cidades). Mas lembrem-se: isto é a minha experiência, o vosso caminho é só vosso. 

 

Se já possuem conta no banco, documentos de identificação em dia e National Insurance Number (ainda que provisório), estão aptos para assinar um contrato de trabalho. Mas por onde começamos?

 

1. Rever o Currículo 

Antes de enviarem o vosso CV para alguma empresa ou de criarem conta em motores de busca de empregos, vejam se as informações continuam actualizadas. Já passou, provavelmente, algum tempo desde o dia em que chegaram e talvez já tenham alterado a vossa morada, o vosso número de telefone ou talvez até já se sintam mais confortáveis com a língua e reparem em algum erro que vos tinha passado despercebido até hoje. Tenham também atenção a palavras com acentos, cedilhas ou outras formas de acentuação próprias do português. Muitas vezes, em motores de recrutamento automáticos, o vosso currículo poderá não ser visualizado correctamente porque o vosso nome, outrora "João", passou a "Jo#!%o". Está tudo correcto? Então, está na altura de mostrarem o que valem ao mundo. 

 

2. Criar conta em sites de busca de emprego

Regra geral, as plataformas de divulgação de ofertas de trabalho no Reino Unido funcionam melhor do que aquelas a que estamos habituados em Portugal. O processo é mais intuitivo e rápido, pois, na maior parte dos sítios, é só clicar e o nosso CV é logo enviado para os recrutadores. Não há necessidade de preencher centenas de campos informativos, responder a questões demasiado específicas (à excepção dos motivos pelos quais queremos trabalhar em determinada empresa) ou fazer testes de aptidões. Para além disso, há aplicações para o telemóvel, tornando possível enviar o nosso CV a partir de qualquer lado. Claro que, de ramo para ramo, tudo o que estou a escrever aqui pode alterar-se, mas de uma maneira genérica é assim que funciona. Procurem websites específicos para as vossas áreas e tirem sempre umas horas por dia para pesquisar ofertas nestes locais. Para mim, as plataformas de eleição são CV Library, Monster, Indeed e TotalJobs. Para aqueles que procuram ofertas na área de hotelaria e restauração, o Caterer é a vossa melhor aposta. 

 


 

 

3. Criar conta no Linkedin

Em Londres, e, no geral, em todo o Reino Unido, o Linkedin é a plataforma de eleição para headhunters (recrutadores) entrarem em contacto com profissionais. Se tiverem um bom perfil, experiência profissional consistente e relevante, o mais provável é que, semanalmente, recebam contactos com ofertas de trabalho. Formem uma boa rede de contactos, peçam para que os vossos colegas vos recomendem e, sobretudo, mostrem o quanto valem, através de partilhas de assuntos que estejam ligados à área em que pretendem trabalhar.

 

4. Tomar atenção aos websites de empresas dentro da área que procuram

Pode acontecer que determinadas empresas tenham uma plataforma de ofertas de emprego dentro do próprio website sem as publicarem nas plataformas anteriormente referidas. Por isso, o melhor que têm a fazer é criarem uma lista com todas as empresas que vos possam interessar de que se lembram e visitar as páginas online das mesmas. Se encontrarem ofertas interessantes, não deixem de visitar o Linkedin dos responsáveis pelos recursos humanos da empresa e, com uma boa dose de coragem, enviem-lhes o vosso currículo directamente. 

 

5. Apostar nas candidaturas espontâneas

Porque o importante é nunca baixar os braços e ter bastante persistência, muitas vezes vale a pena sair de casa, com um monte de currículos debaixo do braço e entrar dentro de um Centro Comercial ou nas mil e uma lojas espalhadas pela cidade e pedir para deixar o CV. Mesmo que não estejam a precisar de ninguém, vocês mostram-se à marca e, se gostarem da vossa atitude, podem chamar-vos. O mesmo vale para candidaturas espontâneas enviadas por e-mail. Gostam de uma marca e adoravam trabalhar nas suas lojas ou escritórios? Não tenham vergonha. Arrisquem. 

 


 

 

Tenho uma entrevista, e agora? 

 

A confirmação de que, finalmente, conseguimos uma entrevista de emprego pode deixar-nos em completo terror. Mesmo quando estamos confiantes dos nossos conhecimentos de inglês, mesmo que já tenhamos passado por outras mil entrevistas de emprego em Portugal. Afinal de contas, é a nossa primeira entrevista num país estrangeiro. O mais importante é, sem dúvida, manter a calma. E, claro, fazer bem o trabalho de casa. Existe um website chamado Glassdoor, onde, para além de poderem consultar ofertas de emprego, podem ainda ler avaliações por parte dos trabalhadores da empresa para onde foram chamados acerca das condições de trabalho do local. Na maior parte das vezes, esses mesmos trabalhadores contam como são as entrevistas e quais as perguntas mais frequentes. Fala-se também de salários, férias, relações entre os colegas e muitos outros temas que vos podem dar uma ideia do que esperar. Para além disso, estudem bem o conceito da marca e estejam preparados para perguntas sobre a mesma. Depois, construam bem a vossa história: quem são, de onde vêm, o que procuram com a vossa mudança para o Reino Unido e porque escolheram enviar a vossa candidatura para determinada empresa. No dia da entrevista, sejam vocês próprios. Em Londres, pelo menos, apoia-se a diferença, a originalidade e as particularidades de cada um. E, por isso, é que tanta gente escolhe esta cidade para ser livre. 

 

A minha experiência

 

Cheguei a Londres a 30 de Junho de 2015. Comecei a procurar trabalho uma semana depois de chegar. No dia seguinte a ter iniciado a procura tive uma entrevista. Uma semana depois, outra entrevista. Duas semanas depois, outra entevista. E dia 27 de Julho de 2015 comecei a trabalhar, num local onde fiquei durante 8 meses. Enviei candidaturas espontâneas, respondi a anúncios, falei com amigos que podiam ser bons contactos, colei os meus olhos às montras as lojas para descobrir ofertas de emprego. Fiz de tudo um pouco. Pelo meio, recusei muitas ofertas, que se revelaram ser diferentes daquilo que eu esperava, marquei entrevistas que acabei por desmarcar e tive experiências mirabolantes. Acima de tudo, fui sempre fiel a mim própria. E segui o meu instinto. Sabia que aquilo que pretendia inicialmente era melhorar o meu inglês, perder a vergonha na hora de falar aquela que viria a seguir a minha segunda língua e criar uma rede de contactos na minha nova cidade. Então, procurei maioritariamente empregos ligados ao atendimento e apoio ao cliente. Lojas, supermercados, cafés, call centres, corri tudo. Pus de lado qualquer oferta em que precisassem de pessoas que falassem português, porque sabia que aí não ia praticar tanto quanto noutro lugar onde só se falasse inglês. Respondi ainda a ofertas para empregos em limpezas e serviços de babysitting. A minha primeira entrevista foi para uma loja de souvenirs, na zona de London Bridge. Ofereceram-me o trabalho. Eu não aceitei porque não gostei da energia da loja. A minha segunda entrevista foi para cuidar de um bebé, super querido, numa casa na zona de Canada Water. A mãe adorou-me, o pai discutiu com a mãe em plena entrevista. O miúdo ficou com cara de quem assistia a discussões todos os dias. Eu tive medo da responsabilidade de educar uma criança. Disse que não estava interessada no trabalho. A minha terceira entrevista foi para uma loja que vendia materiais de construção. A posição disponível era para operadora de caixa. O trabalho era longe de tudo: dos transportes, da casa onde eu estava a viver, do centro da cidade. Para além disso, consistia em turnos rotativos: um deles começava às 6:15 da manhã e o outro terminava às 20:15. Eu adorei tudo: a loja, o gerente da loja, a rapariga dos recursos humanos, a energia do espaço, os outros trabalhadores. Mesmo que este trabalho me obrigasse a mudar de casa, acordar às 4 horas da manhã e andar a pé numa zona que não é propriamente a zona mais segura de Londres. Aceitei. E, durante oito meses, raramente me apeteceu mudar de trabalho (só naqueles dias em que o cansaço me fazia adormecer e chegar atrasada). Durante oito meses, aprendi como se reveste uma casa da humidade, como se evita que as janelas deixem entrar o frio e ainda que existem pelo menos uns cinco tipos de rodapés diferentes. Durante oito meses, aprendi a falar um bocadinho de polaco e, aos poucos, fui ganhando confiança com o meu inglês. Cresci muito. E agradeço, ainda hoje, a quem, no dia da minha entrevista, depositou a confiança em mim e soube deixar-me à vontade. E, mais do que isso, agradeço à minha intuição que me levou sempre a fazer as escolhas mais acertadas. 

 

Tenham o vosso objectivo bem definido. Arrisquem. Sem medos. E, sobretudo, confiem. Mesmo quando tudo vos parecer virado do avesso. 

 

Com amor,

Joana

 


 

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