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Joana

um mundo cheio de histórias para contar

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02
Nov17

MAIS VERDE | Cuidar de mim

Joana Santos

Cuidar do meu corpo envolve alguns passos fundamentais: acordar devagar, meditar, praticar yoga e comer bem, evitando ao máximo produtos de origem animal, laticíneos e aquelas gorduras feias e más. Nos dias em que acordo à pressa, em que não tenho tempo para a minha rotina matinal e em que é impossível comer bem, é certo e sabido que vou ressentir-me: barriga inchada, olheiras mais fundas do que o normal e um humor que não convida ninguém a estar perto. 

No início deste ano, aproveitei para juntar à minha rotina de cuidado pessoal um outro passo fundamental: colocar na minha pele apenas os produtos em que confio. A pele é o nosso maior orgão e tudo aquilo que nela toca invade a nossa corrente sanguínea, tendo, por isso, impacto na nossa saúde. O excesso de químicos nos produtos de higiene e de beleza conduz-nos a problemas graves, como por exemplo a infertilidade. Sabendo disso, passei a olhar para os rótulos de uma outra forma, procurando neles todos os nomes estranhos: as parafinas (composto químico da família do petróleo), os parabenos (que influenciam o nosso sistema endócrino) e outros que tais. 

Nunca fui uma pessoa que se deixasse levar pelas promessas da publicidade, no que toca a produtos de beleza. Sou muito minimalista no que a eles toca: são raras as vezes em que me maquilho, não acho que a minha pele precise de ser "brilhante e sem rugas, livre de imperfeições" - porque as rugas, as borbulhas e as imperfeições existem e, sobretudo, acredito que somos muito mais do que aquilo que as imagens sem um cabelo fora do sítio que aparecem na televisão nos fazem crer que somos. 

 

Por isso, tornou-se muito claro perceber:

1. que químicos existiam nos meus produtos de higiene e beleza;

2. para que empresas ia o dinheiro que gastava nesses mesmos produtos. 

 

Fiz uma rusga à minha casa de banho e inspeccionei tudo o que por lá havia. De um lado, ficaram os produtos que, obviamente, tinham de desaparecer dali. Do outro, os produtos que, tendo em conta os dois pontos acima, estavam aprovados para ficar. Claro que os que receberam pontuação negativa eram mais do que aqueles que receberam pontuação positiva. Mas a verdade é que não os deitei logo fora: a sustentabilidade é algo muito importante para mim, não só a nível ecológico como a nível económico. Por isso, não tendo assim tanto dinheiro para investir, naquele momento, em renovar todos os produtos que usava, decidi gastar todos aqueles que não eram testados em animais

 

Através de uma lista da PETA percebi quais são as empresas que testam os seus produtos em animais ou que os vendem a países onde o testes destes produtos é obrigatório. Desde que o Oreo, o nosso gato, veio fazer parte da nossa família que a causa animal faz-me cada vez mais sentido. E é muito difícil para mim lidar com tudo aquilo que provoque dor a um animal. E é inquestionável que todos estes testes são formas de tortura. Por isso, todos os produtos que servem interesses de empresas que constavam nesta lista foram parar ao lixo.

Fui substituindo, aos poucos, alguns produtos e, como ainda estava em Londres nesta altura, arranjei produtos de grande qualidade por um preço sustentável para a minha carteira. Experimentei muita coisa, tornei-me fã de umas e jurei para nunca mais outras. Mas foi o início de uma viagem interessante, que me levou por muitos outros caminhos.

Comecei a pesquisar sobre o conceito de lixo zero e a incluí-lo também nas minhas compras: passei a preferir produtos livres de plástico e com embalagens reutilizáveis ou produtos que durassem mais tempo do que o tempo normal que dura um produto destes. 

 

Quando regressei a Portugal, percebi que, apesar de haver uma crescente preocupação com os produtos que escolhemos para o nosso dia-a-dia, ainda há pouca oferta e a que há custa bastante. Portanto, procurei novas alternativas: o comércio justo, a agricultura biológica e o apoio de iniciativas que vão ao encontro dos meus valores. Foi assim que descobri pequenos produtores, como é o caso da Mirística, da Sente Senas Naturais, da Panos da Vera e da VeganCare. É aqui que adquiro, actualmente, a maioria dos meus produtos. E é tão bom quando recebo as encomenda sentido que aqui aconteceu uma troca mútua: fiz o bem a que bem me faz e vice-versa. 

Deixo-vos uma série de imagens de produtos que fui comprando ao longo desde (quase) ano de mudança, acompanhada de uma pequena descrição dos produtos. 

 

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Um champô em barra, um sabonete para o corpo, um sabonete para a cara e um batom hidratante. Estes produtos são produzidos pela Sofia Vieira, da Vegan Care, em Portugal. Não são testados em animais, são orgânicos e biológicos. Todos eles duram bastante: os dois sabonetes que comprei anteriormente duraram-me quatro meses; o champô durou dois. Tudo isto por um preço justo e comportável. São mesmos estes, não procuro mais. 

 

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Estes dois produtos são da Sente Senas Naturais: um desmaquilhante e um creme diário. Não os uso regularmente, mas sim apenas quando coloco maquilhagem. Ambos têm um cherinho bastante agradável e deixam a pele macia e cuidada. São feitos com óleos e essenciais e muito amor.

 

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Outro produto que adoro da Sente Senas Naturais: o meu creme do corpo de manteiga de karité. Feito com ingredientes provenientes de comércio justo, é cremoso para que a pele fique bem hidratada. O desodorizante é da Elisa Câmara, à venda no Celeiro, e, embora tenha feito bem o seu trabalho, vem numa embalagem de plástico impossível de reutilizar. Quer isto dizer que continuo na busca por um bom desodorizante! 

 

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Continuo em busca do amaciador perfeito também. Os que experimentei mais recentemente foram o da Elisa Câmara, de jojoba, o de brócolos da NeoBio, à venda no Bio Mercado, e o de rosa da Lavera. Não gostei dos dois primeiros: gastaram-se bastante rápido e não tinham a textura de que o meu cabelo precisa. Mas adoro o último, pois cheira mesmo bem. Ainda assim, todos eles vêm em embalagens de plástico e, por isso, não vão ser os escolhidos. Nas imagens estão ainda a minha pasta de dentes (embora venha numa embalagem de plástico, já a comprei duas vezes, pois tem sido a melhor de todas as que tenho experimentado) e o desodorizante do momento (com cheiro a menta, é o ideal para a minha pele mas continua a conter plástico e a ser demasiado caro). Foram ambos comprados no Celeiro. 

 

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Estes foram encomendados à Mirística. Adorei o efeito branqueador da pasta de dentes, mas, para ser honesta, manchou-me o lavatório da casa de banho e deixou tudo à sua volta muito gorduroso. Por isso, não voltei a encomendá-la. Ainda assim, adorei o serviço desta marca portuguesa de cosmética biológica e, por isso, tenho uma lista de produtos que tenciono encomendar numa próxima vez, como o creme de corpo e as nozes de saponária. O desodorizante ainda está por terminar: durante o verão, senti que não estava a funcionar muito bem nas minhas axilas, mas, com a chegada do tempo mais frio, tenciono usá-lo. Confesso que, ao início, foi estranho não ter o roll-on e colocar o desodorizante com os dedos, mas depois habituei-me e passei a adorar o facto de ter sempre as axilas suaves. De todas as marcas, esta é a que mais me deixa contente: as embalagens são de vidro, podendo, por isso, ser reutilizadas. 

 

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Trouxe estes do Celeiro, porque eram da marca que usava em Londres: um desodorizante, um creme do corpo e um champô. Adorei o cheiro, a forma como deixavam o meu cabelo, pele e axilas... Mas o preço deu-me conta da conta bancária. E, por isso, decidi não lhes voltar a dar uma oportunidade. 

 

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Estas Humble Brush vieram de Londres e foram um presente da minha querida amiga Mónica. São ecológicas, feitas de bambu e muito duradouras.  Além disso, a marca compromete-se a utilizar parte do dinheiro investido na compra das escovas de dentes no apoio a países em desenvolvimento. Ganharam o meu coração. 

 

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Este é, sem dúvida alguma, o meu creme de rosto favorito. Descobri-o ainda antes de ir para Londres, nas lojas Organii, mas era impensável comprá-lo, pois é extremamente caro. No Reino Unido, consegui comprá-lo por menos de metade do preço a que ele custa aqui. Usei, durante muito tempo, o creme de noite e o creme de dia. Até regressar a Portugal! Sinceramente, nunca houve nenhum creme que fizesse tão bem à minha pele quanto este, mas, para mim, não faz sentido gastar tanto dinheiro quando posso apoiar pequenos produtores que têm cremes de rosto bastante bons também.

 

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Comprei este champô por engano na loja Amor Bio. Obviamente, não queria trazer um champô para bebé que quase não penetra no couro cabeludo nem faz espuma nem tão pouco tem cheiro. Demorei um verão inteiro a gastá-lo. E, honestamente, se eu tivesse um bebé cá em casa comprava-o novamente. 

 

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Antes de descobrir a Sente Senas Naturais (o que aconteceu no Festival Músicas do Mundo), era este o creme de corpo que utilizava. Cheira tão bem, mas gasta-se tão depressa. E o recipiente é de plástico. Portanto, no-no. 

 

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A Mariana, do blogue Chá&Girassóis, deu-me a receita do seu amaciador feito com chá de camomila e vinagre. Decidi dar-lhe uma oportunidade, uma vez que não estava a encontrar amaciadores que me satisfizessem. (E ainda não encontrei, na verdade.) Utilizei uma embalagem de champô vazia e passei a colocar esta mistura no cabelo depois da lavagem. O meu cabelo ficou bonito, com um tom dourado, leve e macio. Mas desisti desta opção quando, um dia, depois de dar um mergulho na praia, senti um cheiro muito forte a vinagre vindo do meu cabelo. Ew.

 

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Os meus champôs e amaciadores do coração, antes de descobrir a versão em barra da Vegan Care. O cheirinho agradável e o compromisso sustentável fizeram com que os procurasse em Lisboa. Apenas os encontrei no Centro Comercial Amoreiras e a um preço muito acima daquele a que o comprava em Londres. Por isso, risquei-os, com muita pena minha, da lista. 

 

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Também em Londres, encontrei por 5 libras um desodorizante que não é mais do que uma barra de sal. Durou-me seis meses, até ter de o dar a uma amiga porque deixou de prevenir o cheiro da transpiração. Sim, gente, ela existe. Por 1,75 libras, comprei um sabão de azeitona, bastante cheirosinho, mas que me entupiu a banheira. Óptimo. 

 

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Se forem ao Reino Unido, tragam de lá um batom destes. Sabe tão bem! É feito de mel e hidrata até mesmo os lábios mais secos. 

 

Posto isto, um resumo. Encontrar o produto perfeito leva tempo, mas se tivermos bem claro aquilo que procuramos (ingredientes sustentáveis, preço sustentável, sem testes em animais, contribuição para o movimento lixo zero, comércio justo e apoio a pequenos produtores) a tarefa é facilitada. Em Portugal, existem bastantes projectos feitos com o coração que trazem até nós o melhor para o nosso corpo. 

 

Ainda não encontrei o produto perfeito para:

- Pasta de dentes;

- Amaciador;

- Desodorizante;

- Perfume;

- Protector Solar.

 

Mas consegui encontrar para:

- Champô;

- Creme do Corpo;

- Creme da Cara;

- Higiene íntima (falo-vos disso noutra publicação);

- Gel de banho;

- Desmaquilhante;

- Hidratante para os lábios. 

 

Se tiverem sugestões, estou aqui para as ouvir! 

Espero que esta publicação (ENORME!) vos seja útil.

Com amor,

Joana

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