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Joana

um mundo cheio de histórias para contar

Joana

um mundo cheio de histórias para contar

27
Out17

MAIS CALMA | Quase um ano de Coaching

Joana Santos

O que é o coaching?

"Coaching é um processo de desenvolvimento humano que visa apoiar as pessoas a atingir os seus objetivos (pessoais ou profissionais), através de uma metodologia, técnicas e ferramentas específicas, estabelecendo-se através de uma relação de parceria entre o coach e o coachee (quem beneficia do processo). O coach apoia o coachee a tornar-se a melhor versão de si mesmo. Ajuda-o a crescer, a ver para além do que é hoje e a focar-se naquilo em que se quer tornar."(Fonte: aqui.)

 

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Já há muito tempo que queria fazer esta publicação, mas nunca tinha conseguido juntar todas as palavras necessárias para a construir. Ainda não sei se as tenho completamente, mas, hoje, ao olhar para o meu "Plano de Vida na Porta do Frigorífico", sorri tanto com o coração que decidi partilhar convosco a viagem que tem sido o meu último ano. 

Há um ano, mudei-me para uma casa linda, feita à medida dos meus sonhos e ideal para iniciar uma vida a dois. Há um ano, vivia na cidade que escolhi para ser a minha casa e tinha um mundo inteiro por descobrir. Há um ano, a minha vida desenhava-se exactamente como era suposto desenhar-se: um projecto profissional estável que me cabia liderar, dinheiro suficiente no banco para viajar, amigos que falavam línguas diferentes e me mostravam muitos outros lados da vida. 

Mas tudo isto não me chegava, não era meu, não me fazia sentido. O meu coração estava constantemente vazio. Arrastava-me para conseguir cumprir tudo aquilo que me pediam: que era suposto ser desafiante e motivante, mas que se revelava aborrecido. Sentia um peso enorme de cada vez que respirava e os meus olhos estavam sempre prontos para chorar. 

Um dia, descobri que a pessoa que se sentava ao meu lado, na secretária, durante quarenta horas semanais, tinha cancro. Assim, de um dia para o outro. Esse diagnóstico tinha-lhe trazido uma conclusão: não havia nada a fazer e restava-lhe pouco tempo de vida.

Quando emigramos, qualquer pessoa que se cruze connosco e nos toque o coração torna-se um melhor amigo. Sentimos por aquela pessoa em segundos aquilo que demoramos muitas histórias a construir no nosso habitat natural - o nosso país. Não são precisas aventuras; o percurso idêntico que todos temos a muitos quilómetros de casa basta-nos. Por isso, aquele diagnóstico abateu-se sobre todos os que partilhavam o dia-a-dia com o Luís de forma devastadora. 

Lembro-me de que, nesse dia, cheguei a casa com a certeza de que tinha de fazer alguma coisa quanto ao que estava a sentir. Que tinha de falar com alguém sobre aquele vazio no peito, que tinha de perceber como chegar às respostas que me colocava diariamente e que, mais importante do que tudo, tinha de voltar a ser eu. 

Ver a vida a desaparecer mesmo ao nosso lado tem este efeito: descobrimos dentro de nós a necessidade de viver. 

 

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E foi assim que, no meio de muitas lágrimas e dentro de uma cabeça cheia de dúvidas, escrevi um e-mail à Sónia: a melhor coach de todo o sempre. Pela primeira vez, partilhei com alguém aquilo que realmente sentia: a sensação estranha de que eu não era suficiente, de que não me colocava a 100% naquilo que fazia. Disse-lhe que não me sentia apaixonada pelos projectos dos quais fazia parte e que guardava no coração muitas situações por resolver. E disse-lhe que, sobretudo, sentia muito pouco do que havia de bom para sentir: tinha-me esquecido de como era possível olhar para as pequenas coisas da vida e encontrar felicidade nelas. Tinha-me esquecido de quem eu era. 

Hoje sei que, mais do que partilhar com a Sónia, aquele foi o dia em que me permiti a olhar para dentro de mim, com a certeza de que era capaz de me encontrar outra vez. 

Juntas, desenhámos um plano: para lutar contras as minhas inseguranças, para trabalhar a minha voz interior e para encontrar, dentro de mim, aquilo que julguei ter perdido. Foi, muitas vezes, assustador. Porque descobri uma série de teias de aranha dentro do meu coração: pedaços da minha vida que julgava já ter arrumado há muito, mas que, na verdade, continuavam ali, bem vivos, a condicionar todos os passos que dava. Deixei de poder fugir deles, de esconder-me, em posição fetal, debaixo do edredão, de arranjar desculpas, de dizer que não era capaz. E isso tornou o medo de falhar num sentimento libertador.

 

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Ao longo deste ano, saíram de mim camadas e camadas de pó. E à medida que me libertei de cada uma delas, encontrei motivos para pôr em prática tudo aquilo que tinha colocado na caixa do "Nunca vou ser capaz de...". Em um ano, tomei a decisão de regressar a Portugal, construí um novo blogue, lancei o meu projecto do coração (Kids Go Zen: Aulas de Yoga para Crianças Felizes), fiz dois cursos, inscrevi-me num terceiro, frequentei vários workshops apaixonantes, conheci pessoas magníficas que me aproximam cada vez mais da minha essência, abri mão daquilo que já não fazia sentido ter na minha vida e reencontrei esta capacidade de sentir. Sentir amor pelo que faço. Sentir confiança quanto ao futuro. Sentir paz em relação ao passado. Sentir força para ser Eu. 

Quando iniciei esta viagem, não tinha coragem para dar voz a tudo aquilo que sou, olhava para a minha vida aos bocadinhos e não sabia o que me guiava. Hoje, sei que o crescimento pessoal do último ano trouxe à minha vida a estabilidade e o equilíbrio que há muito procurava e sei também que o amor é a minha base, de onde parto e aonde regresso. Continuo a caminhar ao encontro de mim mesma, confiando na minha capacidade de me fazer feliz. 

Sinto-me eternamente grata pela existência da Sónia na minha vida. Sem ela, sem a sua paciência e o seu coração gigante esta viagem de descoberta não tinha sido possível. Obrigada, obrigada, obrigada! 

 

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 {Quero ainda agradecer também ao Luís, pelo amigo que foi até ao fim e pela inspiração que deixou a todos nós. Porque, de uma maneira ou de outra, todos nos tornámos, através do seu exemplo, pessoas melhores.}

 

Podem ler mais sobre a Sónia aqui e aqui. E, se vos fizer sentido, falem com ela!

21
Ago17

A JOANA DIZ COISAS | Deixei de ser trendy

Joana Santos

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Uma epifania, foi o que me deu. Passei uma semana a sentir saudades de Londres, mas um dia acordei, assim, com os pés assentes em Lisboa. Pela primeira vez, os meus pés tocaram verdadeiramente o chão da minha cidade e foi como se as aprendizagens inconscientes do último ano (uma verdadeira montanha russa de emoções) se apresentassem claras aos meus olhos. Nesse dia, tomei uma decisão: chega de tentar correr ao lado dos outros; a partir de agora, a vida vai ser ao meu ritmo. Passei muito tempo a olhar para o que está na moda (trendy, não é?): os blogues sobre comida saudável, os grupos de Facebook sobre vidas utópicas, as partilhas constantes nas redes sociais de vidas perfeitas. Demasiado tempo a achar que valia menos porque não conseguia acompanhar as pessoas que eu via, do lado de lá de uma fotografia ou de um vídeo, lindas e bem sucedidas. Horas a entrar em desafios que, para mim, eram só uma maneira de medir egos com os outros. Quando tudo aquilo que eu queria era não o fazer. Depois, respirei. Tudo isto foi para mim uma competição comigo mesma, não fazendo com isso mais do que desvalorizar-me. Por isso, vou andar mais devagar. Falar daquilo de que gosto, explorar o que me faz crescer, ligar-me a quem me faz sentir verdadeira. Aproveitando esta vaga de boa energia (e uma zanga com a outra plataforma, que se estava a fazer de difícil), decidi ainda trazer a minha casa para um espaço renovado. E em português. Tirando isso, tudo continua igual. 

 

22
Jun17

A JOANA DIZ COISAS | Dois meses em Portugal

Joana Santos

O regresso a Portugal foi uma aventura. Muitos de vocês perguntaram-me várias vezes se estava tudo bem comigo e com o blogue, se ia deixar de escrever, se precisava de ajuda. Todos receberam a mesma resposta: está tudo bem, mas o tempo tem sido pouco. Isso foi verdade no primeiro mês. Cheguei dia 22 de Abril, confiante de que, depois de uma semana a viajar pelo Douro, a viver umas merecidas férias, ia chegar à casa que alugámos e pôr as mãos na massa, que é como quem diz desfazer as malas, mobilar a casa e dedicar-me aos meus projectos e à procura do trabalho de sonho. Como a vida adora pregar-nos partidas, para colocar à prova os nossos níveis de paciência e resistência, a dois dias do fim da viagem descobrimos que, afinal, a casa alugada não ia estar disponível na data em que era suposto. O que é que isso significava? Que dali a dois dias não tínhamos sítio onde ficar. Claro que havia a opção de ficarmos em casa da minha mãe, mas, como o Gui ia começar a trabalhar dali a três dias, ia ser desconfortável para todos: a casa não é assim tão grande e íamos passar a ser seis pessoas lá dentro. Ficámos nervosos e tristes, mas, no meio das férias, lá conseguimos arranjar maneira de entrar em contacto com um amigo que vive em Londres e que aluga a casa em Lisboa. Para nossa felicidade, a casa estava vaga entre o dia a partir do qual precisámos e até à segunda data que nos foi dada como data para a mudança para a casa definitiva. É certo que o problema se resolveu, mas não deixou de ser um transtorno enorme, porque era a altura em que mais precisámos de algo certo. Durante alguns dias, vivemos, assim, numa casa temporária e tudo passou a estar em stand-by. Para mim, foi quase como uma continuação das férias mas, em vez de elas acontecerem no Douro, aconteciam agora em Lisboa. Estive com alguns amigos, vi a minha família, matei saudades desta cidade linda e, ao longo do tempo, fui-me sentindo cada vez mais em casa. Mas, na verdade, com tanta indecisão (será que íamos mesmo conseguir mudar para a casa definitiva no dia esperado? será que íamos ter tempo de conciliar os arrumos e as compras para a casa com o horário de trabalho do Gui? será que ia haver mais surpresas?), eu fui perdendo aquela energia com que cheguei a Portugal. Mudámo-nos para a casa nova no dia combinado, houve tempo para tudo e não houve assim grandes surpresas no entretanto. Arranjámos uma amiguinha nova para o nosso gato Oreo, a Noor, mobilámos a casa, que está mesmo a nossa cara, embora ainda lhe falte quadros nas paredes, descobrimos o nosso bairro, limpámos o nosso jardim, cuidámos da laranjeira, plantámos pimentos, ervas aromáticas, morangos e flores novas e ainda descobrimos aloé vera pelo meio, avançámos no planeamento do nosso casamento, tomámos decisões importantes, fomos à praia nos dias mais quentes e vimos o pôr do sol durante muitas semanas seguidas. Hoje, celebramos dois meses em Portugal. E eu, finalmente, acordei cedo, saí de casa e sentei-me a escrever (para mim e paa vocês) num café pequenino aonde costumava vir antes da minha aventura por terras de Sua Majestade. A verdade é que não "arranjei tempo". Arranjei energia. A falta de tempo e de segurança que senti no início deste regresso trasnformou-se mais tarde em falta de energia. Energia para me dedicar à escrita e aos projectos que me fazem sorrir o coração. Porquê? Ainda não descobri a resposta, mas sei que tenho procrastinado muito neste aspecto. É mais fácil riscar aquelas tarefas menos importantes da lista, como ler os folhetos das promoções da semana ou mudar a areia da caixa dos gatos, em vez de me sentar comigo mesma. Ouvir-me. Colocar em palavras aquilo que o meu coração diz. E depois é só mais uma bola de neve: a falta de energia acumula-se e transforma-se numa avalanche de dúvidas e questões ao que sou, que por sua vez sugam mais energia e por aí em diante. Essa falta de energia, que trouxe consigo as questões e as dúvidas, levou-me a parar e a fazer um balanço de tudo aquilo que me comprometi a fazer e tentar descobrir se ainda tudo faz sentido. E a verdade é que, dentro do meu coração, faz. Então, hoje, acordei cedo, vesti um vestido cheio de flores para me ajudar a sorrir melhor e sorri durante todo o caminho até ao café bonito que escolhi para esta manhã. A mente, com todos os seus fantasmas, pode cansar o coração, mas a verdade é que ele sabe sempre como (re)encontrar o seu caminho e a sua paz. O segredo é escutá-lo. 
 
 
 
E VOCÊS, O QUE É QUE PODEM ESPERAR DO BLOGUE AGORA?
~ Muitos conselhos na rubrica Viver em Londres, para quem quer pôr pés ao caminho,
~ Muito amor pela Mãe Natureza na rubrica Joana Goes Green (experimentei uma data de produtos vegan de que vos quero falar),
~ Histórias inspiradoras na rubrica Other Voices,
~ Um desafio bonito, 
~ Histórias das minhas viagens! 
 
Quem continua por aqui? Quem é novo por cá?
 
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04
Abr17

A JOANA DIZ COISAS | Casa.

Joana Santos

Cheguei a Londres a 30 de Junho de 2015. Vim livre de razões para ficar. Vim também semrazões para voltar atrás. Acredito que quando saímos do país que nos viu nascere crescer vamos atrás do nosso espírito aventureiro: por muito que queiramosacreditar, nunca mudamos de país com o coração cheio de certezas. A incertezaé, aliás, aquilo que caracteriza a mudança. Mas atiramo-nos de cabeça. Euatirei-me de cabeça, de corpo inteiro. Escolhi abraçar a vida num novo país:descobri-lo, aceitá-lo, vivê-lo. Mas longe de acreditar que um dia viria asentir-me em casa aqui. (Demorei muito tempo a compreender esse conceito: casa.Demorei exactamente oito meses de Londres e uma noite de Lisboa.) Mas a verdadeé que um dia, às 5:30 da manhã, ao atravessar um parque no este da cidade, acaminho do trabalho, olhei pela janela do autocarro e, vendo todas as luzescintilantes lá ao fundo, acreditei nunca mais querer ir embora. Olhando paratrás, se não fosse essa noite em Lisboa, tantos meses mais tarde, talvez osentimento de pertença a este lugar tivesse ficado. Não porque fosse real, masporque demoraria mais uma vida a entender o sentido da minha mudança. Hoje, seique não sou eu que pertenço aqui, mas é cada coisa bonita que Londres me deuque pertence à minha história. E essa história londrina continuará em mim,mesmo que eu não continue por cá. Se alguma certeza havia, no meio de tantasreticências que mudar de país me fez colocar, era a de que, custasse o quecustasse, iria ver respondidas muitas questões sobre mim. E, hoje, aqui sentadaa escrever, sei que não podia ter encontrado melhor forma de as ver respondidase sei que chegou o momento de tomar consciência dessas mesmas respostas. Não,não tenho resposta para tudo. Sei que há respostas que vou encontrar noutro lugarou que, já existindo dentro de mim, haverei de entender através de outrasaventuras, mas, por agora, tenho o suficiente para prosseguir. E estou feliz.
 
{A publicação era sobre outro assunto. Mas a verdade é que foi isto que saiu. É o que acontece quando deixo o meu coração falar.} 
 
 
01
Abr17

VIVER EM LONDRES | 5 coisas de que vou sentir saudades {e duas novidades}

Joana Santos

Posso começar pelo fim deste título? Pelas duas novidades? Claro que sim! Então:
 
1) Estou noiva!
2) Faltam exactamente 22 dias para regressar para Portugal.
 
WOW. Eu sei. Isto é muita coisa. Logo assim, de repente, de manhã, para começar bem o dia e o mês. Vou dar-vos uns minutos para lidar com a situação. 
 
Prontos? Recompostos?
 
Ora, então passemos a explicar. Num belo dia, no final de Janeiro, o meu Gui levou-me a jantar fora, com o pretexto de que ainda não tinhamos visitado o Shard - um edifício super alto, pontiagudo, perto de London Bridge. Caminhámos cerca de uma hora a pé, junto ao rio, até lá chegarmos e, depois de subirmos (de elevador) os 34 andares do edíficio, deparámo-nos com uma vista maravilhosa sobre Londres. Mesmo. Daquelas de cortar a respiração. O restaurante Aqua London é todo em vidro, bem no topo do Shard, e, à noite, sentimo-nos completamente no topo do mundo, completamente maravilhados pela luz da cidade. Jantámos sem que eu desconfiasse do que iria acontecer a seguir. Falámos dos nossos planos de vida, comentámos os vestidos minúsculos das raparigas sentadas ao nosso lado, rimo-nos porque levámos roupa tudo menos adequada àquele lugar e comemos maravilhosamente bem. No final do jantar, depois de terminarmos um vinho português, fomos até a uma espécie de miradouro, junto ao bar, e foi lá, com a maravilhosa e cintilante vista da cidade onde nos conhecemos, que o Gui fez a pergunta que mudou para sempre as nossas vidas. Sim, o rapaz é um romântico. Antes de dizer que sim, eu chorei e ri ao mesmo tempo, reacção mesmo típica da minha pessoa quando fica nervosa e é apanhada de surpresa. Mas disse. Disse que sim, porque não fazia sentido dar qualquer outra resposta a esta pessoa que me faz acreditar que  único motivo pelo qual vim para o Reino Unido foi para o encontrar.


Agora, limpem as lágrimas. Vamos à segunda novidade. 
 
Já não me lembro bem quando começámos a falar de um possível regresso a Portugal, mas lembro-me de que a data que tinhamos em mente era 2018. É difícil assentar aqui, construir uma família, aproveitar a vida e o tempo. Corremos de um lado para o outro, pagamos rios de dinheiro em rendas de casa e transportes e não há sol. Passado uns tempos, depois de vivermos ao máximo a vida londrina, é natural que a calma do nosso país nos faça falta. Mas a vida, por vezes, surpreende-nos e a oportunidade de partir mais cedo começou a desenhar-se. E, claro, não lhe virámos as costas. A vida dá-nos aquilo de que realmente precisamo e, se a oportunidade chegou agora, é porque a altura certa é agora. E aí vamos nós. Não podia estar mais contente, nada poderia fazer mais sentido do que a fase maravilhosa de vida que estou a ter neste momento: sinto-me a caminhar cada vez mais rápido ao encontro daquilo que é a minha essência e daquilo que me faz mais feliz, ao lado da pessoa mais maravilhosa do mundo.

 
Mas, apesar de ter a certeza de que este é o passo mais certo, há coisas que encontrei em Londres que me vão deixar muitas saudades. MUITAS SAUDADES MESMO. Há uma lista interminável delas, mas hoje deixo-vos com as cinco mais importantes. 
 
1) A Multiculturalidade

Podia escrever uma publicação apenas para vos falar da quantidade de mundos diferentes que cabem dentro de Londres. E é desses mundos todos juntos num só que vou ter mais saudades: a possibilidade de almoçar falafel e húmus num restaurante libanês e jantar guacamole e nachos num restaurante mexicano, ir às compras à China Town ou à Little India, a oportunidade de ouvir mil línguas diferentes, experimentar fazer uma pintura de henna e meditar num templo budista. Mais do que isso, sentir-me livre para vestir o que quero, como quero, quando quero e partilhar os bancos do comboio com raparigas que usam véu e homens de turbante sem ouvir as típicas piadas sobre bombas que tantas vezes ouvi em Portugal. Aqui aceita-se e incentiva-se a diferença, aceita-se que todos vimos de um lugar diferente, todos temos experiências diferentes e são essas nossas pequenas diferenças que fazem de Londres um lugar tão seguro para viver. 

2) A cultura dos postais

Quem me conhece, seja pela escrita, seja em pessoa, sabe que adoro trocar postais. Em Portugal, já era assim, mas aqui este amor tornou-se ainda maior. O mais comum é, por exemplo, dar a alguém um postal a acompanhar um presente de aniversário ou enviar um postal daqueles com fotografias de lugares sempre que viajamos. Mas, em Londres, descobri toda outra panóplia de miminhos que posso dar a quem me é mais querido. Aqui escrevem-se postais quando alguém muda de trabalho: deseja-se "good luck on your new job" ou "we will miss you"; quando alguém muda de casa: "congrats on your new home" ou "we have a new address" e quando alguém fica noivo: "happy engagement!" ou "it's a ring day". Depois há os postais de Natal, os postais do dia da mãe e do pai, os postais de dia dos namorados. E há os postais de aniversário de namoro e de casamento. Os para os tios, primos, irmãos e avós. Há lojas de postais, como a Scribbler ou a Paperchase, onde encontramos até os postais mais inimagináveis, para todos os gostos e ocasiões. Os com mais piada, os mais sérios, os de agradecimento e os inspiradores. Não sei ao certo quantos postais já enviei desde que me mudei para Londres, mas posso dizer com certeza que o número já vai bem perto dos 300. Antes de regressar a Portugal, vou abastecer-me de postais bonitos para que, no meu querido país à beira-mar plantado, não me falte nada. Alguém conhece lojas deste género em Lisboa?

3) A organização dos transportes públicos

Tirando umas quantas chatices na Central Line e umas zangas entre mim e a Bakerloo Line, tenho zero queixas para apresentar sobre os transportes públicos em Londres. Sou maioritariamente utilizadora do metropolitano, mas, de vez em quando, os autocarros e os comboios também me levam até ao meu destino. Ao contrário daquilo que acontece em Lisboa, aqui há metro de um em um minuto em hora de ponta e, fora dela, no máximo espera-se cinco minutos. À noite, cinco minutos é também o tempo de espera mais comum. O metro anda à velocidade da luz e rapidamente chegamos à outra ponta da cidade. É verdade que toda a linha, à excepção talvez da District Line e da Hammersmith & City, é bastante antiga: os comboios chiam por todo o lado, são pouco arejados (na Central Line, em pleno verão, os termómetros atingiram os 50ºC) e pouco espaçosos, mas, em compensação, há metro durante 24 horas, às sextas-feiras e sábados e eu sei perfeitamente que a quantidade monstruosa de dinheiro que dou todos os meses está a ser bem utilizada. Londres funciona por zonas e, por isso, devemos escolher os passes mensais de acordo com as zonas que utilizamos. Por exemplo, eu utilizo o passe para as zonas 1 à 3. Pago 150 libras todos os meses. Mas isso, para além de me permitir utilizar o metro, permite-me ainda utilizar os comboios dentro dessas zonas e todos os autocarros independentemente da zona. Ou seja, se eu quiser ir a algum lado que fica na zona 6, o que eu faço é apanhar o metro até ao limite da zona 3 e, depois, qaulquer autocarro que me leve até lá. Assim, não pago mais. Assusta-me a ideia de regressar à confusão que é o metro de Lisboa e assusta-me ainda mais começar a ter a mentalidade de que a solução é arranjar um carro. E, vocês, como se deslocam em Lisboa?

 
4) A vontade de aproveitar a vida fora de casa

Em Londres, é raro apanhar um dia de bom tempo. E, por isso, quando o sol brilha e a temperatura é mais amena, os parques enchem-se de pessoas, as margens do rio ficam cheias de casais e grupos de amigos que fazem piqueniques e é raro ouvir alguém dizer que passou o dia em casa. Até mesmo quando chove, a vida continua a correr lá fora. E não há cá chapéus de chuva (a não ser os dos turistas). Vêem-se crianças a brincar em poças de água e adultos a andar de bicicleta como se passeassem no paredão de Oeiras em pleno Agosto (vá, se calhar um bocadinho mais vestidos). Quando o sol brilha, calçam-se as sandálias e deixam-se os sobretudos no armário e renovamos as nossas reservas de vitamina D. Levo comigo a certeza de que, em Portugal, todos os dias de luz serão aproveitados, até mesmo quando não está propriamente calor: quero voltar a ir à praia no inverno, a descorbir as serras no verão e a deliciar-me todos os dias com a beleza do nosso país. Fora de casa.

5) As lojas de segunda-mão

Chamam-se charity shops e são a melhor invenção de sempre. Lá, vende-se roupa, livros, discos, objectos decorativos e até mobílias em segunda mão. Encontra-se de tudo, desde roupa bem vintage a vestidos de noiva e tudo por um preço muito baixo. Todo os dinheiro da venda reverte a favor de uma associação, como por exemplo a British Heart Foundation ou a McMillan Cancer Support. Ao contrário daquilo que ainda sinto que acontece muito em Portugal, ninguém tem vergonha de admitir que comprou determinado outfit numa loja de roupa em segunda-mão. E, quando olhamos para alguém, também não conseguimos perceber se o que essa pessoa veste foi comprado numa destas lojas ou veio directamente da Primark ou da H&M (a menos que saibamos as coleções de cor e salteado). Em Lisboa, só conhecia a Outra Face da Lua (onde é impossível comprar algo porque é tudo exageradamente caro) ou a Humana. Qual é a vossa experiência em lojas de segunda-mão em Lisboa?

Agora que Abril começa, e que a minha história em Londres está a acabar, vou encher o blogue de publicações acerca desta cidade magnífica que me ensinou tanto, com a esperança de, talvez, inspirar alguém a vivê-la melhor. Feliz mês de Abril!

Com amor, 
Joana
21
Mar17

MAIS CALMA | Escrever: a minha forma favorita de meditar

Joana Santos
Meditar. Diz-se por aí que meditar está na moda. De repente, o mundo está cheio de palavras como "mindfulness", as livrarias estão cheias de livros onde se pintam mandalas e a loja de aplicações dos nossos telemóveis sugere-nos várias vezes por dia para que façamos o download de uma app que promete desligar o nosso cérebro e, assim do nada, levar-nos ao nirvana.
Nunca fui grande fã daquele tipo de meditação em que nos pedem para fechar os olhos e apenas estar ali. Há muitas pessoas que pensam que tenho uma prática de meditação diária, porque pratico yoga, mas não tenho. Às vezes, sim, apetece-me apenas "existir", sentada no chão, de pernas cruzadas ou deitada no tapete. Mas é raro. Eu encontrei outras formas de meditação que funcionam melhor para mim.
A verdade é que cada pessoa funciona de maneira diferente: há quem goste de pintar mandalas, há quem medite enquanto faz jardinagem, há quem prefira meditações guiadas, há que não queira sequer ficar em silêncio. E, claro, está tudo bem. Não é preciso comprarmos CDs, livros, aplicações que nos ensinem a meditar. Nós somos capazes de encontrar as nossas próprias formas. Bem dentro de nós. Faz o que for melhor para o teu coração. 
Hoje, quero falar-vos da minha prática de meditação preferida: escrever.
Desde que me lembro que me expresso muito bem através de um papel e de uma caneta. Não construo frases muito elaboradas nem obras literárias magníficas, mas consigo deitar cá para fora o que vai no meu coração e na minha cabeça através das palavras. E essa foi a forma que eu encontrei de organizar os meus pensamentos e conseguir estar calma. Quando algo de menos bom se passa, quando a minha cabeça está a mil, quando o meu coração não sossega, escrevo.
Quando era mais nova, tinha milhares de cadernos espalhados pela casa onde escrevia: contos, frases, palavras, cartas. Hoje, ainda tenho os meus sítios secretos onde escrevo: agora dentro de malas de viagem ou na estante do quarto. Escrevo para mim e muitas vezes escrevo para os outros, quando as palavras me entopem a garganta. Antigamente, esgotava até os caracteres das mensagens nos meus telemóveis e enviava mensagens partidas para não se transformarem em MMS. 
Escrevi em cinco ou seis blogues diferentes e agora escrevo neste. Escrevo em aviões, quando consigo ver o mundo de cima. Escrevo à noite, de manhã e, às vezes, até de madrugada, com um olho meio aberto e outro fechado. Os dias em que mais escrevo são os dias em que mais consigo sossegar o meu coração. E é por isso que sei que esta é a minha melhor forma de meditar: deixo os pensamentos fluir do meu coração para o papel e, depois de muitas páginas cheias ou de apenas uma linha ocupada, respiro fundo, estico os braços e sinto-me leve. Capaz de voar. 
 
 
 
{Obrigada à Sónia por me relembrar do quão feliz me sinto depois de escrever.}

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