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Joana

um mundo cheio de histórias para contar

Joana

um mundo cheio de histórias para contar

08
Mar17

TORRE DE BABEL

Joana Santos


Reza a lenda que, na Babilónia, depois do dilúvio, os sobreviventes (descendentes de Noé) tentaram construir uma torre muito alta — a Torre de Babel — com o objectivo de alcançar os deuses. Os deuses, claro, não gostaram da ideia: afinal de contas, nenhum comum mortal deveria aspirar a ser um deus. Como castigo por esta tentativa de chegarem ao céu sem serem convidados, os deuses, para além de derrubarem a torre, ainda fizeram com que todos os homens construtores começassem a falar línguas diferentes. Num momento, todos se entendiam perfeitamente. No momento seguinte, ninguém conseguia fazer-se compreender.
Por causa de tudo isto, hoje em dia, milhares de pessoas como eu enfrentam um desafio: aprender como nos expressarmos em outra língua.
Nunca me tinha dado conta deste facto até, há quase dois anos, mudar de país. Na altura, o meu primeiro trabalho aqui foi no serviço de apoio ao cliente de uma loja, maioritariamente frequentada por imigrantes. Durante um dia de trabalho (oito horas), ouvia milhares de vozes distintas, com sotaques carregados: britânicos, polacos, checos, romenos, portugueses, italianos, gregos, búlgaros, turcos. Durante uma semana de trabalho (quarenta horas), todos nós fazíamos um esforço para que, com os nossos diferentes sotaques, nos conseguíssemos entender.
Foi um desafio e tanto. Nunca fui uma aluna exemplar a inglês: sempre achei a língua aborrecida e nunca percebi porque é que o inglês é uma língua tão universal. Mas, desde que vim para cá, tenho melhorado a olhos vistos. Ou a ouvidos ouvidos. Se dantes não conseguia distinguir uma única palavra no meio de todo um discurso nesta língua estrangeira, hoje conto histórias, faço perguntas e até consigo dizer umas quantas piadas (acreditem, ter piada noutra língua custa horrores).
Em termos de aprendizagem linguística, os meses que trabalhei naquela loja foram os mais produtivos: durante os momentos de pausa do trabalho, eu e os meus amigos polacos, búlgaros, romenos e ingleses ajudáva-nos uns aos outros e desenvolvemo-nos e aprendemos mais sobre esta língua juntos. A nossa sala de pausa acabava por soar exactamente ao momento que precedeu o episódio da Torre de Babel: todos, em diferentes línguas, tentamos chegar a um consenso sobre como se fala numa língua só.
Com tantas conversas, quase dois anos depois, já me habituei aos sotaques diferentes: hoje, tenho amigos de toda a parte do mundo e, por causa deles, começo agora a dar os meus primeiros passos noutras línguas: sei contar até dez, dizer "bom dia", "adeus", "sim" e "não" e "obrigada" em polaco, sei que os números e o abecedário romenos soam da mesma maneira que os números e o abecedário portugueses e até já sei escrever algumas letras em grego. Pelo meio, aprendi italiano (especialmente, tudo o que tem que ver com utensílios de cozinha) e sei dizer "O meu nome é Joana. E o teu?" em árabe. Colecciono amigos de toda a parte do mundo e nada me faz mais feliz do que a nossa pequena Torre de Babel.
Aliás, se há coisa que este episódio da Torre de Babel me ensinou é que, no final de contas, o castigo não foi nada de assim tão grave: há sempre alguém que nos compreende, há sempre gestos que nos ajudam a sermos compreendidos e, acima de tudo, estas conversas em idiomas diferentes até nos desenvolvem o cérebro. Os deuses não são assim tão espertos. 

24
Dez16

Christmas Eve: the most beautiful night of the year

Joana Santos
O meu Calendário do Advento já confirmou: é mesmo hoje. Ainda não eram 10 da manhã e já eu e o Gui estávamos a preparar mousse de chocolate, salada de bacalhau com grão e rissóis de carne. Sim, acertaram: vão ser estas as mostras de gastronomia portuguesa a que os nossos amigos italianos e britânicos terão direito esta noite. Para além disso, ainda lhes vamos dar a provar licor de ginja, queijo da Serra da Estrela, chouriço e ferraduras de erva doce e canela. Mal podemos esperar para os ver deliciados. Afinal de contas, nós, portugueses, temos este orgulho desmedido em mostrar o que é nosso aos outros, não é verdade? E conquistá-los pelo estômago é algo que sabemos fazer muito bem. É certo que, nesta noite, me falta a minha família e as nossas tradições: a ida à ginjinha de Natal (este ano, ouvi dizer, até lá vai o nosso Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa!), o jantar onde se mistura alto e baixo Alentejo, bacalhau com grão, batatas e couve e polvo assado no forno, e a ida a casa da tia Dora, em que eu acabo sempre por adormecer no sofá, muito antes das crianças. Mas, ao mesmo tempo, não posso deixar de sentir que este é o Natal mais querido de sempre, porque o Gui está ao meu lado e ele é também agora parte da minha família. E é isso mesmo que é o Natal: a festa da família. E, às vezes, a família não são só os pais, os irmãos, os avós, os tios e os primos. Às vezes, a família é também uma mesa cheia de amigos. Por isso, estejam onde estiverem, rodeados da família de sangue ou da família do coração, lembrem-se: são vocês que fazem o Natal. Não são as prendas, não é o valor dos bens materiais que oferecem, mas sim o valor do carinho que oferecem a todos os que se sentam convosco à volta da mesa para partilhar esta noite. Daqui, desta mesa de uma bela freguesia londrina, até à vossa mesa num qualquer outro lugar do mundo de onde me lêem, quero desejar-vos o melhor Natal de sempre e partilhar convosco também um bocadinho deste amor e desta felicidade que hoje sinto. Feliz Natal! 

Com amor, 
Joana

  
19
Dez16

5 Razões para adorar o Natal em Londres

Joana Santos
Estamosa menos de uma semana do Natal e Londres está mais luminosa do que nunca. Nãohá, sem dúvida, melhor altura do que esta para visitar o Reino Unido. É comoentrar num conto de fadas – só falta mesmo é a neve! Resolvi, por isso,partilhar a lista de pormenores londrinos que me fazem gostar tanto do mês deDezembro aqui por estas bandas.

Feiras de Natal

Osingleses, ao contrário da ideia que tinha deles, fazem a vida na rua. Aos fins-de-semana,os parques – faça chuva ou faça sol – estão sempre cheios de gente, de criançasa brincar na lama ou na relva, nas poças de água ou nos baloiços e escorregas. Atémesmo durante a semana, depois do horário de trabalho, é frequente ver as ruascheias de grupos de amigos e colegas que se dirigem para os famosos pubs ingleses. Por isso, há sempre umalista interminável de lugares para visitar ao ar livre a qualquer hora do dia.Nesta época, as feiras de Natal enchem a cidade. Estas feiras, para além debancas de world food, são tambémconhecidas por darem oportunidade aos pequenos artesãos e ao pequeno comérciode se mostrar, uma vez que há imensas barraquinhas de onde podemos tirar ideiaspara presentes muito originais. Para além disso, há música em muitas destasfeiras e, claro, carrosséis para os mais novos. As feiras mais conhecidas são ade Southbank Centre, bem junto aoTamisa e a de Leicester Square, pertoda famosa loja de M&M’s. Mas hámuitas outras, mais pequeninas, dentro de igrejas, nos Town Halls (o equivalente às nossas câmaras municipais) e em muitosoutros parques e praças da cidade, como SloaneSquare, onde podemos ouvir ChristmasCarols.

 

Luzes de Natal

Quandose acedem as luzes das ruas mais famosas da cidade, Londres fica ao rubro. Há umevento gigantesco em plena Oxford Street,com concertos de nomes bem conhecidos do panorama musical inglês e até fogo-de-artifício.A rua fica fechada ao trânsito durante um dia inteiro e há quem faça fila paraconseguir o melhor lugar desde madrugada. Este ano, as luzes ligaram-se aindaem Novembro, e houve até uma parada de brinquedos, patrocinada pela famosa lojaHamleys, que incluiu desfiles pelarua da da famosa Peppa Pig, da Barbie e do Bob, o Construtor. Mas desengane-se quem pensa que esta é a únicarua iluminada. Também a Regent’s Streetestá iluminada, com anjos feitos de pequenas luzinhas. No ano passado, adecoração desta rua não foi a esperada, mas este ano esmeraram-se! A Bond Street, uma rua onde encontramosmarcas como Dolce & Gabana, Ralph Lauren ou Prada, é outra das ruas londrinas que se destaca pela sua luminosidade.Depois, claro, há os centros comerciais e lojas de departamento. A John Lewis esmerou-se na sua montranatalícia, fazendo-nos lembrar o campo, as montanhas, a neve. A House of Frasers brilha até mesmo vistado outro lado da rua e também o Harrodsvibra à distânica.




Jantares de amigos

Quandose está longe da família, tudo é um pretexto para juntar os amigos e celebrar.Afinal de contas, são esses mesmos amigos que passam a ser o nosso seiofamiliar neste país que não é o nosso, que não é a nossa casa. É comum, nestasemana que antecede o Natal, vermos, da rua, as outras casas cheias de pessoas,que se juntam à volta de uma mesa, muitas vezes repleta de uma imensidão depratos de vários lugares diferentes do mundo, para celebrar a festa da família.O meu grupo de amigos também não quis ser excepção: este fim-de-semana,juntámo-nos para partilhar bacalhau à Brás e mousse de chocolate bemportugueses, mojitos mexicanos e umdoce do Bangladesh. Já no ano anterior, partilhei o meu Natal, e mais tarde aminha passagem de ano, com amigas polacas. Esta é também a magia de Londres: apartilha constante de culturas e hábitos de lugares que desconhecemos.

Anúncios de Natal

Quemé que não ficou encantado com o anúncio de Natal que publiquei aqui? Éimpossível não adorar este casal amoroso de ursinhos de peluche. Mas também éimpossível não adorar todas as outras personagens que nascem na criatividade natalícia.Adoro anúncios de Natal e adoro-os porque todos eles passam uma mensagem de paze amor: exactamente aquilo que esta quadra deve ser. Deixo-vos aqui os meuspreferidos!






Christmas Jumpers

Sabemaquelas camisolas de lã super amorosas, que vemos sempre vestidas naspersonagens daqueles filmes de Natal? Aqui há uma verdadeira febre por causadessas camisolas. Todos têm de ter a sua e há quem, depois de tantos anos,reúne já uma colecção de fazer inveja. São as Christmas Jumpers! Há camisolas para todos os gostos: as maistradicionais e as mais originais, com luzes, com música, com brilhantes… Há atéum dia em que todos têm de vestir a sua camisola e levar o espírito natalíciopara onde forem. As empresas, até mesmo as mais formais, permitem que os seusempregados se divirtam neste dia e, portanto, é comum ver pessoas vestidas comas suas camisolas de lã por baixo de fatos completos!

Epor aí? Quais são as razões que vos fazem gostar tanto da época natalícia desselado do mundo em que estão?

Com amor,

 Joana
24
Nov16

Let's go ice skating

Joana Santos
É difícil passar um dia em Londres sem nada para fazer: há sempre um parque para visitar, uma feira nova onde comer, uma loja diferente a abrir, uma exposição de arte, conversas com autores em livrarias, e por aí em diante. O ano todo, seja dia de semana ou feriado, as agendas enchem-se de planos. É um dos principais motivos para eu gostar tanto de Londres: poder ter sempre mil e um eventos para escolher. No entanto, a minha altura preferida, como já vos contei, é, sem dúvida, a altura do Natal. A cidade começa a vestir-se de vermelho, verde e dourado no início de Novembro. As ruas enchem-se de pessoas em busca do presente perfeito. Há mais turistas nesta altura do ano do que em qualquer outra. Há bancas de vinho quente em qualquer lugar. Há a Winter Wonderland, uma feira de diversões bem no coração de Londres, no famoso Hyde Park. E há mil lugares onde é possível patinar no gelo. Sim, exactamente: há uma pista de gelo em qualquer esquina. Este ano, eu e o Gui fomos patinar para a pista da Somerset House, um centro cultural, onde, no resto do ano, fazem exposições, concertos e sessões de cinema. 



Sem dúvida que, de todas as pistas de gelo que já vi, esta é a mais bonita: fica naquilo que é um género de claustro do centro cultural, rodeada por arcadas de pedra. Aquilo que a torna mais especial, para além do imponente edifício que a envolve, é o ambiente: a árvore de Natal gigante, o bar onde podemos consumir todas as bebidas quentinhas que nos apetecerem, a música natalícia e animada e as luzes que, enquanto patinamos, vão mudando de cores e desenhando flocos de neve pelo gelo. Obviamente que esta pista de gelo entrou logo para o número um do meu TOP de pistas de gelo, mas há outras que não só eu gostava de experimentar ainda este ano como vocês deviam experimentar também!



Hampton Court Palace Ice Rink

Diz quem já lá foi que o Hampton Court Palace é um lugar inesquecível. Especialmente quando a neve cai e os campos que o envolvem se tornam completamente brancos. Acredito que patinar no gelo lá rodeada de neve seria mais do que mágico. É, sem dúvida, um sítio a colocar na lista. 

Canary Wharf Ice Rink

Canary Wharf é uma zona de Londres lindíssima: há bastantes empresas bem conhecidas que têm os seus escritórios lá, como a Reuters ou a IBM, e a correria daqueles que lá trabalham mistura-se com a calma do rio que passa ali mesmo ao pé. Os prédios enormes e espelhados escondem jardins e praças que, no verão, se enchem de famílias e amigos que fazem piqueniques. No inverno, esses mesmos jardins enchem-se de cor e trazem a magia do Natal, com feiras de produtos artesanais e, claro, a pista de gelo. Este ano o tema da festa é "Luz", o que encaixa na perfeição com o local. Há um bar, que também serve comida, junto à pista de gelo, e, por isso, é o sítio ideal para patinar e jantar de seguida. 

Natural History Museum Ice Rink

O Museu de História Natural é, provavelmente, o museu mais visitado por famílias em Londres. É a casa da famosa exposição de dinossauros e de muitas outras que nos fazem querer ficar por lá um dia inteiro, a descobrir factos interessantes sobre a história do nosso mundo. Cientes de que fazem as delícias de miúdos e graúdos, os responsáveis pelo museu constroem todos os anos uma pista de gelo gigante, decoram-na e às árvores em volta com as conhecidas fairy lights, as luzinhas brancas da árvore de Natal, e deixam que a magia do museu se estenda aos jardins que o envolvem.

Hyde Park Winter Wonderland

A Winter Wonderland, a feira de carrocéis de que falei ali em cima, já é mágica por si só. Há diversões para todas as idades e para todos os gostos: montanhas russas, baloiços, barquinhos, casas de terror... Para além disso, há uma verdadeira panóplia de bancas de comida, essencialmente comida alemã, como cachorros quentes. Lá podemos encontrar também muitas ideias de prendas de Natal: prendas feitas à mão, por artesãos muito criativos. É verdade que há filas e filas e filas de gente para andar em todos os carrocéis e que, especialmente aos fins de semana, é quase impossível andar um metro em menos de dez minutos. Mas vale bem a pena visitar o Hyde Park nesta altura do ano para sentir o verdadeiro espírito natalício londrino. Por isso, acredito bem que patinar neste lugar deve ser igualmente maravilhoso! 



Eu e o Gui divertimo-nos imenso a patinar e, por isso, já estamos a pensar em combinar a próxima visita a uma pista de gelo. Até estamos a pensar em subsitutir o ginásio por este novo desporto.

E vocês, já andaram de patins no gelo este ano? 

Com amor,
Joana


18
Nov16

Stonehenge & Bath

Joana Santos
No fim de semana passado, recebi uma visita muito especial: a minha mãe esteve em Londres! Passámos quatro dias a passear por todo o lado, jantámos fora, fomos às compras, conversámos muito... A minha mãe já cá tinha estado em Dezembro do ano passado, mas, nessa altura, ficámo-nos apenas por Londres. Desta vez, tendo em conta que ela já conhece os pontos principais da cidade, resolvemos mostrar-lhe um bocadinho mais de Inglaterra. Eu e o Gui fizemos-lhe uma surpresa e levámo-la numa excursão. Os destinos foram Stonehenge e Bath. Enquanto que o primeiro local é conhecido de muitas pessoas, porque se fazem imensos filmes, documentários e reportagens sobre ele, o segundo já é menos popular e turístico. A excursão oferecia uma visita de um dia. Arranjámos os bilhetes na Groupon, com bastante antecedência, e ficou bastante em conta. Confesso que estava um bocadinho preocupada: em Portugal, há muito a ideia de que as excursões implicam sempre que haja um homem de bigode a tentar vender-nos uma cesta de enchidos e também que o público alvo são reformados, por isso, tinha receio de que aqui fosse igual. Mas, não! A excursão era bastante diversificada: havia tanto turistas como locais, e a própria organização tinha consciência disso. Durante a viagem, foram-nos contacto pequenos detalhes, factos históricos e curiosidades dos locais por onde íamos passando, enquanto faziam sugestões de possíveis locais de intneresse. O primeiro ponto de paragem foi em Stonehenge e, depois, partimos para Bath, onde ficámos grande parte da tarde. 

#1 Stonehenge

É impossível não terem visto, pelo menos uma vez na vida, esta estrutura. Era um lugar que eu queria já há bastante tempo visitar, desde que, algures na televisão portuguesa, vi uma reportagem sobre os festejos dos solstícios que acontecem aqui. Esta estrutura é constituída por pedras que medem mais de cinco metro de altura e podem pesar mais de cinquenta toneladas e tem sido um mistério para arqueólogos, historiadores e para a população no geral. A opinião mais defendida é a de que o monumento foi construído como santuário para culto ao Sol e à Lua, ou seja, com uma finalidade religiosa. No entanto, como nos foi explicado durante a visita, o lugar sofreu bastantes alterações com o tempo e com a chegada de diferentes povos à região. Houve quem utilizasse o lugar como cemitério e é por isso que, ainda hoje, se podem ver montes de terra e erva, que era utilizados como valas para os corpos. As pedras estão colocadas em círculo de uma forma tão matemática que, na altura do Solstício de Inverno e de Verão, o sol fica excatamente alinhado com elas. Hoje em dia, Stonehenge é parte da English Heitage e da National Trust e, portanto, são estas associações que tomam conta do lugar. Confesso que adorei! Foi tão engraçado estar junto a um dos monumentos que mais questões levanta, que mais dúvidas coloca e que mais interesse histórico desperta. A visita em cima não demora muito tempo: em cerca de quarenta minutos, é possível percorrer o círculo, ler as placas com informação e ainda aproveitar para tirar fotografias. 




#2 Bath

Não sabia onde ficava Bath nem o que havia lá para ver, à excepção dos antigos banhos romanos. Não sei se foi a inexistência de expectativas, mas, assim que pus o pé fora do autocarro, apaixonei-me pela cidade. Parece que entrámos numa máquina do tempo e fomos transportandos para outro século. A cidade é muito medieval, cheia de construções da época romana, e é algo que nunca pensei que fosse encontrar em Londres. Primeiro, fica num vale: a chegada à cidade é encantadora, vemos as monstanhas muito verdes e um povoado, atravessado por um rio, lá ao fundo. Depois, é única em todos os sentidos: não só pelo tipo de construção, mas também pelo comércio e pelas curiosidades. Pelo caminho, encontrámos uma loja chamada 25th of December, cheia de decorações de Natal e outra com decorações feitas apenas de frutos secos. E sabiam que o prédio mais antigo de Inglaterra ainda habitado fica em Bath? Nesse prédio, que hoje é um restaurante, serve-se comida em pratos feitos de pão. A fila para este restaurante é gigante, por isso não consegui experimentá-lo, mas pode ser que o dia volte! Para além dos spas e banhos da época romana, podem ver uma ponte que liga os dois lados da cidade e uma catedral gigante. Confesso que gostava de ter lá ficado mais umas horas, porque ainda ficou muito por ver e viver, mas o tempo que lá estive foi suficiente para perceber que não me importava nada de me mudar para lá! 






Com amor,
Joana
16
Nov16

Wanderlust wishes

Joana Santos
Mudei-me para Londres em Junho de 2015. Passei um ano inteiro deliciada com esta cidade: conheci os seus cantos e recantos e ainda me falta riscar tanto desta lista interminável. Quase que me esqueci, durante este tempo, que Londres é só uma pequena parte deste reino tão grande. Mas, felizmente, o Gui é tão maluco por descobrir novos lugares quanto eu e, juntos, temos viajado para mil e um lugares igualmente (se não mais) maravilhosos. Em meio ano, visitámos Plymouth, Cambridge, Brighton, Bath, Stonehenge, Birmingham, Edimburgo, Glasgow e Cardiff. De autocarro (às vezes, em viagens que duram mais de 10 horas) ou de comboio e de mochila às costas, subimos montanhas, entrámos à socapa (e sem saber) em jardins de estranhos, andámos de gôndola, vimos cenários e filme e guardámos muitas recordações na nossa caixinha. Destes lugares, vou falar-vos um por um. A seu tempo. Com muitas fotografias e histórias engraçadas pelo meio. Hoje, quero antes contar-vos quais são os lugares que ainda queremos visitar. Esta é, então, a wishlist de viagens pelo Reino Unido

#1 Lake District

Imagem retirada da Internet
As imagens falam por si, certo? Não é preciso grandes justificações para colocar este lugar na minha lista. Tal como o nome indica, esta zona é rica em lagos que são verdadeiros espelhos de água. O lugar é constituído por um Parque Nacional gigantesco onde encontramos a maior montanha inglesa: Scafell Pike. É conhecida especialmente entre os amantes de escalada, mas qualquer pessoa se pode aventurar por lá. O parque faz parte da National Trust, de que já vos falei aqui. Ainda não sei quando vai surgir a oportunidade de ir até ao Lake District, mas está sem dúvida no topo das minhas próximas escolhas.  

#2 Falmouth

Imagem retirada da Internet

Já tive a oportunidade de conhecer parte da Cornualha quando viajei para Plymouth. Fiquei apaixonada. Sempre vivi perto do mar, em Portugal, e, por isso, é das coisas de que mais sinto saudades em Londres. Mas a Cornualha tem uma zona costeira de meter inveja a muitas praias portuguesas (embora não lhes passe à frente, descansem).  Por isso, quando soube que a Megabus tinha aberto uma rota de autocarros para as Falmouth fiquei super feliz. A viagem é longa, mas tenho a certeza de que valerá a pena. 

#3 Kent


Kent não fica muito longe de Londres, por isso facilmente chego lá. O local é conhecimento como O Jardim de Inglaterra e, portanto, só pelo nome podemos ver que é bastante apetecível. Gostava de visitar um bocadinho de toda a região, mas aquilo que não pode mesmo faltar são os White Cliffs of Dover. Deste lugar dá para avistar França em, para além disso, olhar para as rochas brancas e para o mar tão azul é como se estivessemos a apreciar uma verdadeira pintura ou um daqueles postais que nos enviam do outro lado do mundo e nos cortam a respiração.

Há muitos outros lugares que gostava de visitar, como Stratford Upon Avon, o Loch Ness ou Swansea, mas este é o meu TOP 3, sem dúvida.

E vocês, já visitaram algum destes lugares? Que sítios gostavam de visitar no Reino Unido?

Com amor, 
Joana

15
Nov16

Remember, remember... The 5th of November!

Joana Santos


(Esta publicação contém excertos e passagens de um texto que publiquei no ano passado no website Travel&Taste.)
V for Vendetta. Sabem, aquele filme com a maravilhosa Natalie Portman? Claro que sabem. O filme já passou dezenas de vezes na televisão e continua a ser um verdadeiro sucesso, mesmo depois de tantos anos que já se passaram desde a sua estreia. Ora, o que se calhar vocês não sabem é que este filme conta uma história verídica, passada no Reino Unido, no ano de 1605. Foi neste ano que um grupo de católicos, liderado por Robert Catesby, planeou um ataque minucioso ao Rei Jaime VI da Escócia. Este ataque, que ficou conhecido como a Conspiração da Pólvora, consistia em fazer explodir a Câmara dos Lordes, durante a abertura do parlamento. Quando? No dia 5 de novembro. O objetivo final era matar o rei protestante, já que este privilegiava aqueles que partilhavam com ele a mesma religião, em detrimento dos católicos. O ataque começou a ser planeado em março: um perito em explosivos, Guy Fawkes, preencheu toda a zona subterrânea abaixo do parlamento com 36 barris de pólvora, contendo 1800 libras de material explosivo. Tinha tudo para dar certo. No entanto, algo falhou. O grupo de conspiradores, temendo a morte de outros católicos, enviou avisos aos religiosos para se manterem afastados do parlamento no dia previsto para a explosão, mas um desses avisos chegou aos ouvidos do rei. Assim, seguranças foram enviados até aos túneis subterrâneos e os explosivos foram descobertos e desativados. Os traidores foram torturados e mantidos presos. Desta feita, o parlamento inglês sobreviveu até aos dias que correm e, ainda hoje, a Rainha, para que não se esqueça o simbolismo deste acontecimento, desce até aos mesmos túneis em novembro. Contudo, não é só a Rainha que nesta cerimónia recorda a Conspiração da Pólvora. Pelo Reino Unido, durante a primeira semana de Novembro, os céus enchem-se de fogo de artíficio. Os festejos começam na Bonfire Night (Noite da Fogueira). Por todo o reino, milhares de pessoas juntam-se nas casas, nos parques, nos jardins e à beira do Tamisa para lançarem foguetes ou reúnem-se em volta de fogueiras. Todos estes símbolos pretendem relembrar o fogo que se ia devastar Londres se o atentado não tivesse sido impedido.  No ano passado, presenciei, pela primeira vez, estes espectáculos pirotécnicos. Na altura, estava a trabalhar numa loja e o meu dia de trabalho começava às 6 horas da manhã, pelo que não me foi possível festejar este dia fora de casa. Vi o fogo de artíficio da janela do meu quarto, deitada na minha cama. Nesse dia, prometi a mim mesma que, dali a um ano, estaria a apreciar os céus ingleses em primeiro plano, numa das festas mais famosas da cidade - a que acontece em Alexandra Palace, em Londres. E assim foi. Este ano, estive lá, na colina mais alta do parque, que permite ver a maravilhosa cidade iluminadaOs festejos começaram por volta das 15 horas, com uma feira de carrosséis para pequenos e graúdos, e prosseguiram durante toda a tarde. Houve um festival de comida de rua, de cerveja alemã e ainda um laser show.  Quando a noite caiu, houve uma parada alusiva ao Dia de Los Muertos e acedeu-se a fogueira. Às 20 horas o espetáculo pirotécnico começou e só por volta das 22h é que o barulho dos foguetes cessou. Esta um frio de rachar. As minhas mãos estavam congeladas. Mas valeu a pena. A festa foi linda. Eu gosto de espectáculos pirotécnicos desde que me lembro e este foi um dos mais bonitos que já presenciei. Por isso, já sabem... Se para o ano estiverem por Londres no dia 5 de Novembro, não deixem de visitar Alexandra Palace e deliciarem-se com as cores e luzes que enchem os céus londrinos. 


14
Nov16

Londoners Portugueses precisam-se

Joana Santos
Escrevi, há tempos, que adoro começos. Adoro planear inícios. Adoro aprender como levar algo a algum lugar. Gosto mais de começos do que conclusões, mesmo que as conclusões sejam as mais positvas. Por essa razão, quando me desafiam a iniciar um projecto novo, nem penso duas vezses. Foi isso mesmo que aconteceu quando voltei ao mundo dos blogues e encontrei a C., do blogue O meu reino da noite. Ora, a C. vive no Reino Unido, tal como eu. A C. adora viajar, conhecer e descobrir novos lugares, tal como eu. A C., tal como eu e qualquer pessoa com uma casa no Reino Unido, está sempre a receber amigos e familiares e a fazer-lhes visitar guiadas por este belo país. Pois está claro que daqui só podia sair algo bom. Falámos, por e-mail, de uma possível colaboração entre as duas que juntasse as nossas aventuras neste país com aquilo que já aprendemos sobre ele e que se concretizasse em usar esse conhecimento e as nossas histórias para ajudar quem aqui quisesse viver, passear e descobrir, tal como nós o fazemos diariamente. Nós já temos uma lista enorme de ideias, mas ainda é tudo muito recente e precisa de um plano. Para isso, precisamos de mais londoners portugueses que estejam interessados em ajudar-nos e participar neste projecto, que se traduzirá na criação de um blogue com várias rubricas sobre a cidade. Assim, quem estiver interessado ou conheça alguém que possa estar, ou até mesmo quem não queira participar mas tenha ideias, deverá enviar um e-mail para onbeingjoana@gmail.com, indicando isso mesmo. Vou ficar à espera desses e-mails cheios de vontade de ajudar! 

Hammersmith, London




09
Nov16

Love is always the answer

Joana Santos
Novembro ainda só vai no seu nono dia e parece já ter bastante para contar. Hoje, acordámos num mundo completamente diferente daquele em que adormecemos ontem. Hoje, acordámos com o medo no coração, com o choque estampado no rosto, com a incerteza do que aí vem a inundar-nos o cérebro. Hoje, acordámos com a notícia de que Donald Trump foi eleito Presidente dos Estados Unidos da América
Há 27 anos, caía o Muro de Berlim. Caía o símbolo do ódio que separou uma nação, que matou, que humilhou. Caía a parede de betão construída por um homem com sede de poder e conquistava-se a liberdade. Celebrava-se o amor, a paz, a compaixão entre seres humanos iguais que tinham sido obrigados a esquecer-se desse facto. 
Irónico que, no dia em que devíamos recordar-nos desse tão belo acontecimento, tenhamos sido obrigados a considerar a possibilidade de voltarmos a viver num mundo em que a liberdade de acção, de pensamento e de expressão não fazem parte dos direitos fundamentais de cada pessoa. Tudo porque nos esquecemos muito facilmente da História. Adormecemos nas aulas, porque achamos aborrecido, inútil, passado. E depois cometemos estes erros. Acreditamos em alguém vazio de sentido, que joga com as nossas emoções, com a nossa falta de memória. Acreditamos em alguém que nos promete a resolução imediata dos nossos problemas utilizando um discurso simplista e básico, sem nos preocuparmos em ler nas entrelinhas. Ignoramos o discurso racista. Ignoramos o discurso sexista. Ignoramos o ódio no coração. Ignoramos a falta de sentido, de provas, de noção. Confiamos cegamente porque temos medo. E vamos atrás sem ouvir aquilo que realmente nos está a ser dito.
Hoje, recordaram-se esses discursos e essas promessas, como a de construir um muro de betão, igual ao outro, aquele que caía há 27 anos atrás. Hoje, recuou-se no tempo e questionou-se o mundo. Hoje, escreveu-se História. Resta esperar que os nossos piores pesadelos não se tornem realidade. Resta esperar que este seja apenas um curto e inofensivo capítulo dos livros da escola dos nossos filhos, mas que os ajude a perceber que o ódio não é a resposta para o medo. O amor é a resposta. O amor é sempre a resposta certa. 


31
Out16

~ Natureza em estado puro ~

Joana Santos
O Outono chegou em força: Londres está agora coberta por um manto de nevoeiro, a humidade agarra-se ao nosso corpo e ao nosso cabelo. O chá tem sido o nosso melhor amigo. O sofá e a manta polar fazem-nos companhia. Nestes dias, festejámos o Halloween: vestimo-nos de Cleópatra e Júlio César versão Zombie e, acompanhados pelos nossos amigos vampiros, bonecas assombradas e enfermeiros ensaguentados, festejámos o melhor que pudemos. Vimos Nightmare Before Christmas, um filme de Tim Burton, que entrou para a lista dos filmes mais originais e melhor produzidos que já vi. (Sabiam que o filme é todo gravado em stop-motion, que é como quem diz realizado com recurso a fotografias tiradas em sequência de determinados objectos que, quando colocadas todas juntas, dão a ideia de movimento?) Escrevi cartas para o Projecto Cartas Cruzadas. E, melhor do que tudo o resto, risquei Richmond Park da minha lista de lugares a visitar neste Outono (vejam a lista aqui). Decidimos visitar o parque no domingo à tarde, depois de um sábado passado a molengar. De nossa casa até Richmond demoramos apenas meia hora de metro, coisa que, em Londres, é muito pouco tempo dentro de um transporte público. Richmond é uma pequena "vila" dentro de uma cidade gigantesca, que mistura comércio tradicional com lojas de grandes cadeias, onde tanto se vive o reboliço da metrópole como a calma do campo. Em cinco minutos, passamos da zona comercial para o rio e a mãe natureza na sua forma mais pura e, ao entrar dentro do parque propriamente dito, somos levados para um pequeno paraíso. O parque é gigante e, logo à entrada, um mapa do local tenta elucidar-nos o caminho que temos de fazer para chegarmos a pontos chave como os lagos ou os locais de observação de animais. Mas, no meio da natureza, não são precisos mapas. Na verdade, só precisamos mesmo de fechar os olhos e deixarmo-nos guiar pela natureza. Durante a nossa visita, vimos renas e alces ali, no meio das pessoas, sem medo. Vimos patos a nadar em lagos tão bonitos que reflectiam todas as árvores ali à volta. Vimos folhas de cores tão outonais. Vimos o rio. Vimos um pôr do sol magnífico. Vimos crianças a brincar no meio da relva, como se soubessem que estavam a regressar ao lugar de onde tinham vindo. No fim do nosso passeio, estávamos cansados, mas também nós nos sentíamos com as baterias recarregadas, prontos para enfrentar mais uma semana. 








Com amor, 

Joana

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