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Joana

um mundo cheio de histórias para contar

Joana

um mundo cheio de histórias para contar

27
Out17

MAIS CALMA | Quase um ano de Coaching

Joana Santos

O que é o coaching?

"Coaching é um processo de desenvolvimento humano que visa apoiar as pessoas a atingir os seus objetivos (pessoais ou profissionais), através de uma metodologia, técnicas e ferramentas específicas, estabelecendo-se através de uma relação de parceria entre o coach e o coachee (quem beneficia do processo). O coach apoia o coachee a tornar-se a melhor versão de si mesmo. Ajuda-o a crescer, a ver para além do que é hoje e a focar-se naquilo em que se quer tornar."(Fonte: aqui.)

 

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Já há muito tempo que queria fazer esta publicação, mas nunca tinha conseguido juntar todas as palavras necessárias para a construir. Ainda não sei se as tenho completamente, mas, hoje, ao olhar para o meu "Plano de Vida na Porta do Frigorífico", sorri tanto com o coração que decidi partilhar convosco a viagem que tem sido o meu último ano. 

Há um ano, mudei-me para uma casa linda, feita à medida dos meus sonhos e ideal para iniciar uma vida a dois. Há um ano, vivia na cidade que escolhi para ser a minha casa e tinha um mundo inteiro por descobrir. Há um ano, a minha vida desenhava-se exactamente como era suposto desenhar-se: um projecto profissional estável que me cabia liderar, dinheiro suficiente no banco para viajar, amigos que falavam línguas diferentes e me mostravam muitos outros lados da vida. 

Mas tudo isto não me chegava, não era meu, não me fazia sentido. O meu coração estava constantemente vazio. Arrastava-me para conseguir cumprir tudo aquilo que me pediam: que era suposto ser desafiante e motivante, mas que se revelava aborrecido. Sentia um peso enorme de cada vez que respirava e os meus olhos estavam sempre prontos para chorar. 

Um dia, descobri que a pessoa que se sentava ao meu lado, na secretária, durante quarenta horas semanais, tinha cancro. Assim, de um dia para o outro. Esse diagnóstico tinha-lhe trazido uma conclusão: não havia nada a fazer e restava-lhe pouco tempo de vida.

Quando emigramos, qualquer pessoa que se cruze connosco e nos toque o coração torna-se um melhor amigo. Sentimos por aquela pessoa em segundos aquilo que demoramos muitas histórias a construir no nosso habitat natural - o nosso país. Não são precisas aventuras; o percurso idêntico que todos temos a muitos quilómetros de casa basta-nos. Por isso, aquele diagnóstico abateu-se sobre todos os que partilhavam o dia-a-dia com o Luís de forma devastadora. 

Lembro-me de que, nesse dia, cheguei a casa com a certeza de que tinha de fazer alguma coisa quanto ao que estava a sentir. Que tinha de falar com alguém sobre aquele vazio no peito, que tinha de perceber como chegar às respostas que me colocava diariamente e que, mais importante do que tudo, tinha de voltar a ser eu. 

Ver a vida a desaparecer mesmo ao nosso lado tem este efeito: descobrimos dentro de nós a necessidade de viver. 

 

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E foi assim que, no meio de muitas lágrimas e dentro de uma cabeça cheia de dúvidas, escrevi um e-mail à Sónia: a melhor coach de todo o sempre. Pela primeira vez, partilhei com alguém aquilo que realmente sentia: a sensação estranha de que eu não era suficiente, de que não me colocava a 100% naquilo que fazia. Disse-lhe que não me sentia apaixonada pelos projectos dos quais fazia parte e que guardava no coração muitas situações por resolver. E disse-lhe que, sobretudo, sentia muito pouco do que havia de bom para sentir: tinha-me esquecido de como era possível olhar para as pequenas coisas da vida e encontrar felicidade nelas. Tinha-me esquecido de quem eu era. 

Hoje sei que, mais do que partilhar com a Sónia, aquele foi o dia em que me permiti a olhar para dentro de mim, com a certeza de que era capaz de me encontrar outra vez. 

Juntas, desenhámos um plano: para lutar contras as minhas inseguranças, para trabalhar a minha voz interior e para encontrar, dentro de mim, aquilo que julguei ter perdido. Foi, muitas vezes, assustador. Porque descobri uma série de teias de aranha dentro do meu coração: pedaços da minha vida que julgava já ter arrumado há muito, mas que, na verdade, continuavam ali, bem vivos, a condicionar todos os passos que dava. Deixei de poder fugir deles, de esconder-me, em posição fetal, debaixo do edredão, de arranjar desculpas, de dizer que não era capaz. E isso tornou o medo de falhar num sentimento libertador.

 

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Ao longo deste ano, saíram de mim camadas e camadas de pó. E à medida que me libertei de cada uma delas, encontrei motivos para pôr em prática tudo aquilo que tinha colocado na caixa do "Nunca vou ser capaz de...". Em um ano, tomei a decisão de regressar a Portugal, construí um novo blogue, lancei o meu projecto do coração (Kids Go Zen: Aulas de Yoga para Crianças Felizes), fiz dois cursos, inscrevi-me num terceiro, frequentei vários workshops apaixonantes, conheci pessoas magníficas que me aproximam cada vez mais da minha essência, abri mão daquilo que já não fazia sentido ter na minha vida e reencontrei esta capacidade de sentir. Sentir amor pelo que faço. Sentir confiança quanto ao futuro. Sentir paz em relação ao passado. Sentir força para ser Eu. 

Quando iniciei esta viagem, não tinha coragem para dar voz a tudo aquilo que sou, olhava para a minha vida aos bocadinhos e não sabia o que me guiava. Hoje, sei que o crescimento pessoal do último ano trouxe à minha vida a estabilidade e o equilíbrio que há muito procurava e sei também que o amor é a minha base, de onde parto e aonde regresso. Continuo a caminhar ao encontro de mim mesma, confiando na minha capacidade de me fazer feliz. 

Sinto-me eternamente grata pela existência da Sónia na minha vida. Sem ela, sem a sua paciência e o seu coração gigante esta viagem de descoberta não tinha sido possível. Obrigada, obrigada, obrigada! 

 

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 {Quero ainda agradecer também ao Luís, pelo amigo que foi até ao fim e pela inspiração que deixou a todos nós. Porque, de uma maneira ou de outra, todos nos tornámos, através do seu exemplo, pessoas melhores.}

 

Podem ler mais sobre a Sónia aqui e aqui. E, se vos fizer sentido, falem com ela!

24
Out17

MAIS CALMA | O Workshop da Da Nova

Joana Santos

Depois de um mês sem escrever no blogue (por boas razões, prometo), regresso, ironicamente, com uma publicação sobre escrita. Criativa, ainda por cima.

Há um ano que tenho sessões de coaching (hei-de falar sobre isso aqui no blogue) com a querida coach Sónia da Veiga. E, sem querer avançar muitas nas razões que me levaram até ela, porque isso é assunto para uma próxima conversa convosco, um dos primeiros Trabalhos para Crescer que ela me deu foi fazer uma lista de projectos que tinha deixado por cumprir, mas que não queria - ou podia, adiar mais. Dessa lista constavam muitas linhas que, felizmente, hoje em dia, estão quase todas riscadas. Não porque deixaram de fazer sentido, mas porque eu consegui, finalmente, dar andamento a estes projectos pendentes. 

Um dos items dessa lista era, exactamente, participar num Workshop de Escrita Criativa. Sempre, desde que me lembro, adorei escrever: imaginar enredos, construir personagens e dar-lhes vida. Mas a verdade é que depois de concluir o curso de Jornalismo a minha capacidade para o fazer era quase nula. As histórias bonitas deram lugar aos factos crus. E era difícil fugir deles. Mas o sonho de escrever um livro não tinha desaparecido e, por isso, decidi que ia voltar a criar uma prática de escrita. 

Procurei alguns workshops mas todos eles me pareciam prometer demasiado. E eu gosto de sentir, à partida, logo uma conexão verdadeira com o que me prometem. Por isso, durante um ano, não me inscrevi em nenhum dos muitos que vi. Mas lá veio a querida Rita da Nova, que eu já queria conhecer há muito tempo, depois de alguns anos a segui-la pelos blogues e redes sociais, tornar todo o meu projecto por cumprir realidade. 

 

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Quem melhor do que ela para me ajudar a voltar à escrita? Senti logo um grande SIM quando ela anunciou que ia dar um Workshop de Escrita Criativa. Porque a Rita escreve, acima de tudo, de forma cativante. E transparece ser uma pessoa genuína. Por isso, inscrevi-me.

O workshop aconteceu este fim de semana, à volta de uma mesa, com comida deliciosa, chás e águas aromatizadas (feitas pelas mãos das Olívias). E foi tudo aquilo que eu podia pedir. Apresentamo-nos da forma mais criativa de sempre, fizemos exercícios de desbloqueio da escrita e, no fim, aprendemos a olhar para os detalhes para sermos capazes de tornar tudo o que fomos partilhando ao longo daquele dia numa história com princípio, meio e fim. Saí com a certeza de que sou capaz: de me expressar, de forma criativa e de ser eu, verdadeiramente, através de um papel e de uma caneta. 

Agora é continuar este trabalho: porque também acredito que a prática é um ponto essencial aqui. Se nunca pousarmos a caneta, trabalhamos a nossa confiança e, pouco a pouco, vamos conseguindo tornar real tudo aquilo que, agora, é apenas um plano na nossa lista. 

 

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Obrigada, Rita. E obrigada a todos aqueles que partilharam este dia tão bom comigo. 

A Rita já tem datas para os próximos workshops: em Lisboa e no Porto. Por isso, não se acanhem. Falem com ela!

Com amor, 

Joana

04
Abr17

A JOANA DIZ COISAS | Casa.

Joana Santos

Cheguei a Londres a 30 de Junho de 2015. Vim livre de razões para ficar. Vim também semrazões para voltar atrás. Acredito que quando saímos do país que nos viu nascere crescer vamos atrás do nosso espírito aventureiro: por muito que queiramosacreditar, nunca mudamos de país com o coração cheio de certezas. A incertezaé, aliás, aquilo que caracteriza a mudança. Mas atiramo-nos de cabeça. Euatirei-me de cabeça, de corpo inteiro. Escolhi abraçar a vida num novo país:descobri-lo, aceitá-lo, vivê-lo. Mas longe de acreditar que um dia viria asentir-me em casa aqui. (Demorei muito tempo a compreender esse conceito: casa.Demorei exactamente oito meses de Londres e uma noite de Lisboa.) Mas a verdadeé que um dia, às 5:30 da manhã, ao atravessar um parque no este da cidade, acaminho do trabalho, olhei pela janela do autocarro e, vendo todas as luzescintilantes lá ao fundo, acreditei nunca mais querer ir embora. Olhando paratrás, se não fosse essa noite em Lisboa, tantos meses mais tarde, talvez osentimento de pertença a este lugar tivesse ficado. Não porque fosse real, masporque demoraria mais uma vida a entender o sentido da minha mudança. Hoje, seique não sou eu que pertenço aqui, mas é cada coisa bonita que Londres me deuque pertence à minha história. E essa história londrina continuará em mim,mesmo que eu não continue por cá. Se alguma certeza havia, no meio de tantasreticências que mudar de país me fez colocar, era a de que, custasse o quecustasse, iria ver respondidas muitas questões sobre mim. E, hoje, aqui sentadaa escrever, sei que não podia ter encontrado melhor forma de as ver respondidase sei que chegou o momento de tomar consciência dessas mesmas respostas. Não,não tenho resposta para tudo. Sei que há respostas que vou encontrar noutro lugarou que, já existindo dentro de mim, haverei de entender através de outrasaventuras, mas, por agora, tenho o suficiente para prosseguir. E estou feliz.
 
{A publicação era sobre outro assunto. Mas a verdade é que foi isto que saiu. É o que acontece quando deixo o meu coração falar.} 
 
 
21
Mar17

MAIS CALMA | Escrever: a minha forma favorita de meditar

Joana Santos
Meditar. Diz-se por aí que meditar está na moda. De repente, o mundo está cheio de palavras como "mindfulness", as livrarias estão cheias de livros onde se pintam mandalas e a loja de aplicações dos nossos telemóveis sugere-nos várias vezes por dia para que façamos o download de uma app que promete desligar o nosso cérebro e, assim do nada, levar-nos ao nirvana.
Nunca fui grande fã daquele tipo de meditação em que nos pedem para fechar os olhos e apenas estar ali. Há muitas pessoas que pensam que tenho uma prática de meditação diária, porque pratico yoga, mas não tenho. Às vezes, sim, apetece-me apenas "existir", sentada no chão, de pernas cruzadas ou deitada no tapete. Mas é raro. Eu encontrei outras formas de meditação que funcionam melhor para mim.
A verdade é que cada pessoa funciona de maneira diferente: há quem goste de pintar mandalas, há quem medite enquanto faz jardinagem, há quem prefira meditações guiadas, há que não queira sequer ficar em silêncio. E, claro, está tudo bem. Não é preciso comprarmos CDs, livros, aplicações que nos ensinem a meditar. Nós somos capazes de encontrar as nossas próprias formas. Bem dentro de nós. Faz o que for melhor para o teu coração. 
Hoje, quero falar-vos da minha prática de meditação preferida: escrever.
Desde que me lembro que me expresso muito bem através de um papel e de uma caneta. Não construo frases muito elaboradas nem obras literárias magníficas, mas consigo deitar cá para fora o que vai no meu coração e na minha cabeça através das palavras. E essa foi a forma que eu encontrei de organizar os meus pensamentos e conseguir estar calma. Quando algo de menos bom se passa, quando a minha cabeça está a mil, quando o meu coração não sossega, escrevo.
Quando era mais nova, tinha milhares de cadernos espalhados pela casa onde escrevia: contos, frases, palavras, cartas. Hoje, ainda tenho os meus sítios secretos onde escrevo: agora dentro de malas de viagem ou na estante do quarto. Escrevo para mim e muitas vezes escrevo para os outros, quando as palavras me entopem a garganta. Antigamente, esgotava até os caracteres das mensagens nos meus telemóveis e enviava mensagens partidas para não se transformarem em MMS. 
Escrevi em cinco ou seis blogues diferentes e agora escrevo neste. Escrevo em aviões, quando consigo ver o mundo de cima. Escrevo à noite, de manhã e, às vezes, até de madrugada, com um olho meio aberto e outro fechado. Os dias em que mais escrevo são os dias em que mais consigo sossegar o meu coração. E é por isso que sei que esta é a minha melhor forma de meditar: deixo os pensamentos fluir do meu coração para o papel e, depois de muitas páginas cheias ou de apenas uma linha ocupada, respiro fundo, estico os braços e sinto-me leve. Capaz de voar. 
 
 
 
{Obrigada à Sónia por me relembrar do quão feliz me sinto depois de escrever.}

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