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Joana

um mundo cheio de histórias para contar

Joana

um mundo cheio de histórias para contar

04
Abr17

A JOANA DIZ COISAS | Casa.

Joana Santos

Cheguei a Londres a 30 de Junho de 2015. Vim livre de razões para ficar. Vim também semrazões para voltar atrás. Acredito que quando saímos do país que nos viu nascere crescer vamos atrás do nosso espírito aventureiro: por muito que queiramosacreditar, nunca mudamos de país com o coração cheio de certezas. A incertezaé, aliás, aquilo que caracteriza a mudança. Mas atiramo-nos de cabeça. Euatirei-me de cabeça, de corpo inteiro. Escolhi abraçar a vida num novo país:descobri-lo, aceitá-lo, vivê-lo. Mas longe de acreditar que um dia viria asentir-me em casa aqui. (Demorei muito tempo a compreender esse conceito: casa.Demorei exactamente oito meses de Londres e uma noite de Lisboa.) Mas a verdadeé que um dia, às 5:30 da manhã, ao atravessar um parque no este da cidade, acaminho do trabalho, olhei pela janela do autocarro e, vendo todas as luzescintilantes lá ao fundo, acreditei nunca mais querer ir embora. Olhando paratrás, se não fosse essa noite em Lisboa, tantos meses mais tarde, talvez osentimento de pertença a este lugar tivesse ficado. Não porque fosse real, masporque demoraria mais uma vida a entender o sentido da minha mudança. Hoje, seique não sou eu que pertenço aqui, mas é cada coisa bonita que Londres me deuque pertence à minha história. E essa história londrina continuará em mim,mesmo que eu não continue por cá. Se alguma certeza havia, no meio de tantasreticências que mudar de país me fez colocar, era a de que, custasse o quecustasse, iria ver respondidas muitas questões sobre mim. E, hoje, aqui sentadaa escrever, sei que não podia ter encontrado melhor forma de as ver respondidase sei que chegou o momento de tomar consciência dessas mesmas respostas. Não,não tenho resposta para tudo. Sei que há respostas que vou encontrar noutro lugarou que, já existindo dentro de mim, haverei de entender através de outrasaventuras, mas, por agora, tenho o suficiente para prosseguir. E estou feliz.
 
{A publicação era sobre outro assunto. Mas a verdade é que foi isto que saiu. É o que acontece quando deixo o meu coração falar.} 
 
 
21
Mar17

MAIS CALMA | Escrever: a minha forma favorita de meditar

Joana Santos
Meditar. Diz-se por aí que meditar está na moda. De repente, o mundo está cheio de palavras como "mindfulness", as livrarias estão cheias de livros onde se pintam mandalas e a loja de aplicações dos nossos telemóveis sugere-nos várias vezes por dia para que façamos o download de uma app que promete desligar o nosso cérebro e, assim do nada, levar-nos ao nirvana.
Nunca fui grande fã daquele tipo de meditação em que nos pedem para fechar os olhos e apenas estar ali. Há muitas pessoas que pensam que tenho uma prática de meditação diária, porque pratico yoga, mas não tenho. Às vezes, sim, apetece-me apenas "existir", sentada no chão, de pernas cruzadas ou deitada no tapete. Mas é raro. Eu encontrei outras formas de meditação que funcionam melhor para mim.
A verdade é que cada pessoa funciona de maneira diferente: há quem goste de pintar mandalas, há quem medite enquanto faz jardinagem, há quem prefira meditações guiadas, há que não queira sequer ficar em silêncio. E, claro, está tudo bem. Não é preciso comprarmos CDs, livros, aplicações que nos ensinem a meditar. Nós somos capazes de encontrar as nossas próprias formas. Bem dentro de nós. Faz o que for melhor para o teu coração. 
Hoje, quero falar-vos da minha prática de meditação preferida: escrever.
Desde que me lembro que me expresso muito bem através de um papel e de uma caneta. Não construo frases muito elaboradas nem obras literárias magníficas, mas consigo deitar cá para fora o que vai no meu coração e na minha cabeça através das palavras. E essa foi a forma que eu encontrei de organizar os meus pensamentos e conseguir estar calma. Quando algo de menos bom se passa, quando a minha cabeça está a mil, quando o meu coração não sossega, escrevo.
Quando era mais nova, tinha milhares de cadernos espalhados pela casa onde escrevia: contos, frases, palavras, cartas. Hoje, ainda tenho os meus sítios secretos onde escrevo: agora dentro de malas de viagem ou na estante do quarto. Escrevo para mim e muitas vezes escrevo para os outros, quando as palavras me entopem a garganta. Antigamente, esgotava até os caracteres das mensagens nos meus telemóveis e enviava mensagens partidas para não se transformarem em MMS. 
Escrevi em cinco ou seis blogues diferentes e agora escrevo neste. Escrevo em aviões, quando consigo ver o mundo de cima. Escrevo à noite, de manhã e, às vezes, até de madrugada, com um olho meio aberto e outro fechado. Os dias em que mais escrevo são os dias em que mais consigo sossegar o meu coração. E é por isso que sei que esta é a minha melhor forma de meditar: deixo os pensamentos fluir do meu coração para o papel e, depois de muitas páginas cheias ou de apenas uma linha ocupada, respiro fundo, estico os braços e sinto-me leve. Capaz de voar. 
 
 
 
{Obrigada à Sónia por me relembrar do quão feliz me sinto depois de escrever.}

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